Violência, a Arte de Quentin Tarantino

22 junho 2014

Quentin Tarantino(1963) foi um dos cineastas mais comentados das últimas décadas, seu nome é  sinônimo de “Violência” no Cinema. Apesar de variar um pouco o estilo de seus filmes, Tarantino mantém uma linha de trabalho, que pode ser entendida como uma fórmula, mas que deu um novo gás aos filmes policiais e de ação dos anos 90 e 2000. Seu primeiro filme de grande sucesso e repercussão mundial foi “Pulp Fiction: Tempo de Violência”, no entanto teremos que voltar alguns anos antes para encontrar o nascimento do estilo Tarantino de fazer filmes, e este filme se chama “Cães de Aluguel” (Reservoir Dogs, 1992). Na minha opinião é um filme emblemático, pelo fato de já dividir o filme em atos e já brincar com o assunto violência, onde há uma espécie de banalização do ato violento, não no sentindo de achar normal a violência, mas por parte de seus personagens, quase sempre bandidos se comportarem indiferente as barbaridades cometidas diante deles. Não é um filme fantástico e monumental como Pulp Fiction, a trama é simples e faz uma brincadeira com a história, praticamente sendo contada de trás pra frente. Entre os atores que participaram de “Cães de Aluguel”, estão um time de atores bons em início de carreira, como: Steve Buscemi, Tim Roth, Michael Madsen e Chris Penn, entre estes o veterano Harvey Keitel que arriscou em participar de tal produção e acertou.

 


“Pulp Fiction: Tempo de Violência” (Pulp Fiction, 1994) é o filme que projetou a imagem do novo cinema norte-americano para o mundo. É um filme com atores consagrados como: John Travolta, Harvey Keitel, Christopher Walken e Bruce Willis e que revela nomes ainda não muito conhecidos tais como: Samuel L.Jackson e Uma Thurman. Todo o “Lixo Comercial”, os filmes de Ação, de Luta e de Western do fim dos anos 60 até os anos  80 Tarantino trouxe a tona, não só em Pulp Fiction, mas até hoje,  em Pulp Fiction isso fica mais evidente pelo fato de ser seu primeiro grande filme.  Uma das cenas emblemáticas desta produção é quando John Travolta e Samuel L. Jackson dialogam sobre um “Quarterão com Queijão do McDonalds” antes de cometerem um assassinato, fica claro que o Diretor queria chocar de certa forma, mostrando assassinos profissionais cometendo homicídios como se fosse um ofício como outro qualquer. É estranho como Quentin Tarantino não abusou do Sexo em seus filmes, como fez com a violência, ainda assim sempre há um tom erótico e sua atriz predileta Uma Thurman desenvolve bem seu papel neste filme.

Se em Cães de Aluguel e Pulp Fiction, Tarantino trouxe os filmes policiais dos anos 70 e personagens caricatos como Harry Callahan vivido por Clint Eastwood ou mesmo dos filmes de Charles Bronson, em “Jack Brown” (1997) Tarantino resgata os filmes policiais protagonizados por Atores Negros dos anos 70, como o clássico “Shaft”, filmes feitos para exaltar a cultura afro-americana, chamados de Blaxploitation. Este filme deu uma guinada na carreira de Quentin, que há três anos não despontava com nenhuma produção expressiva. Para elenco de Jack Brown foram chamados o já conhecido Samuel L. Jackson, que como sempre dispensa comentários e a musa dos filmes blaxploitation dos anos 70, a atriz Pam Grier.


Kill Bill é uma clara homenagem aos filmes do estilo Bruce Lee, aos filmes asiáticos de luta dos anos 70. Quentin Tarantino tem uma qualidade de não esquecer seus astros e assim aconteceu com Uma Thurman e até com Michael Madsen, que retornaram em grande estilo neste filme um tanto quanto exagerado, na quantidade de “sangue cenográfico”, como de mortos por metro quadrado. O primeiro filme tem quase 4 horas de duração e foi adorado por muitos e odiado também, vale lembrar a presença do famoso ator norte-americano de filmes de luta David Carradine em ambos os filmes. O argumento é simples e narra uma história de vingança que gira em torno da Noiva Abandonada no Altar  vivida por Uma Thurman. Kill Bill foi dividido em dois filmes Kill Bill Vol.1(2003) e Kill Bill Vol.2(2004), ambos muito violentos e exagerados.

Não menos surreal “Bastardos Inglórios” (Inglourious Basterds, 2009) conta uma história fantástica de um grupo judeu durante a Segunda Guerra Mundial que caça nazistas afim de aniquila-los das formas mais cruéis e horrendas, Tarantino contou com um ótimo elenco, trazendo para seu time Brad Pitt e o excelente ator austríaco Christoph Waltz, que viria a trabalhar em Django Livre. Vale lembrar que para compor a trilha sonora deste filme Quentin Tarantino chamou um dos grandes compostores de trilhas de todos os tempos, o lendário Ennio Morricone.


Em “Django Livre” (Django Unchained, 2012) Quentin Tarantino resgata os filmes Italianos de Faroeste, os chamados “Spaghetti Western”, que fizeram muito sucesso nos anos 60 e 70, principalmente os realizados pelo diretor italiano Sergio Leone. Como sempre Tarantino faz tributos a filmes antigos e alguns personagens nada mais são como cópias muitas vezes descaradas de personagens já vividos. Não diferente acontece nessa produção, na qual o ator Will Smith negou o papel por achar demasiadamente prejudicial a sua “sólida” carreira ao papel dado depois a Jamie Foxx, pode se esperar um filme um tanto “Fantástico” em todos os quesitos, mesmo sendo considerados um dos trabalhos mais comedidos de Quentin Tarantino. Neste último conta com a participação recorrente de Samuel L. Jackson, Christoph Waltz e também Leonardo Di Caprio.

Waldir Bronson

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