Um Desastre e o nascimento da Arquitetura Moderna

10 novembro 2017

Grande Incêndio de Chicago, 1871

O nascimento da Arquitetura Moderna no final do séc.XIX, não foi devido a uma nova tendência estética europeia ou graças a uma fórmula mágica, infelizmente e tragicamente o curso da arquitetura foi marcado devido a um gigantesco incêndio.

Grande Incêndio de Chicago

Chicago além de ser famosa por ser reduto das contravenções do gangster Al Capone no início do séc.XX foi também o berço da arquitetura moderna, justamente lá, em 1871 houve um incêndio de grandes proporções devido suas construções serem em sua maioria de madeira e devido ao corpo de bombeiros ter chegado quando o fogo já estava fora de controle,  logo a cidade foi praticamente destruída e como a ave mitológica Fênix, renasceu das cinzas.

Gravura do incêndio em Chicago em 8 de Outubro de 1871

Após este trágico incêndio não somente a cidade aprendeu uma dolorosa lição, mas todo os Estados Unidos, modificando suas normas de construção e trocando os materiais inflamáveis das residências para tijolos e ferro. Entretanto, não foi este o maior legado do grande incêndio. Uma cidade precisava ser reconstruída rapidamente, todos os seus prédios públicos e o centro da cidade, como fazer uma cidade segura, rapidamente e que não ocupe tanto espaço? Os arquitetos seriam os responsáveis por sua reconstrução, um dos grandes nomes deste período vieram do escritório de arquitetura “Adler & Sullivan” onde trabalhavam Dakmar Adler(1844-1900) e Louis Sullivan(1856-1924), este último considerado o pai da arquitetura moderna.

“A forma segue a função”

Louis Sullivan

 

Da onde viria a solução? A solução viria do aço, naquela época grandes estruturas eram feitas com ferro e aço fundido, como pontes e monumentos, o aço é um material resistente capaz de suportar grandes temperaturas como grandes quantidades de peso, assim estes arquitetos inventaram uma estrutura de aço, que iria fazer parte do edifício, como um esqueleto de aço   ou skeleton constrution como chamaram seus criadores da nova ossatura metálica.

Guaranty building(Chicago) de Louis Sullivan, 1896

Não podemos esquecer de um importante movimento artístico que acontecia nesta época, o Arts and Crafts (Artes e Ofícios) criado pelo inglês William Morris(1843-1896), que propunha um novo fôlego ao artesanato, se opondo aos produtos industrializados, defendendo que estes não tinham estilo, então somente aqueles feitos à mão, teria seu valor. Consequência desse conceito artesanal, surgiu a Art Nouveau que aliava a ideia de Morris com a produção industrial, assim a Art Nouveau influenciou não só o design de objetos, mas também o design gráfico, artes visuais e sobretudo a arquitetura. Os objetos e construções Art Nouveau vão estabelecer um parâmetro entre fazer manual e produção industrial, sempre estabelecendo uma arte decorativa artesanal em seus adornos. Louis Sullivan importante arquiteto da chamada “Escola de Chicago” iria recorrer à decoração externa no estilo Art Nouveau (detalhe do edifício Guaranty).

Detalhe “Guaranty Building”

 

Home Insurance building de William Le Baron, 1885

A primeira construção de um arranha-céu é bastante controversa, muitos sites e livros citam o edifício Home Insurance Building do arquiteto  William Le Baron Jenney em 1885, porém existem fontes que apontam o edifício Montauk dos engenheiros Daniel Burnham e John W. Root de 1881, ambos em Chicago.  Conforme os avanços iam acontecendo, mais altos eram os arranha-céus e nasce então o verticalismo, começando com arquitetos como  Kimball e Thomson que erguem o Manhattan Life Insurance(1894) com 104 metros,  até o imenso Empire State Building (1931) de Shreve e  Lamb & Harmon, com  374 metros de altura, ambos de Nova York.

Montauk building de Burnham e Root, 1881

O primeiro arranha-céu do Brasil foi construído em 1929 no Rio de Janeiro, então capital do Brasil e possui 102 metros de altura, o edifício A Noite  teve o projeto assinado pelos arquitetos Elisário Bahiana e Joseph Gire, hoje esta construção majestosa é tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Edifício “A Noite” de Elisário Bahiana e Joseph Gire, 1929

 

Waldir Bronson

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