Releitura da obra de Salvator Rosa a Mano Sabotage

26 setembro 2012

Salvator Rosa, pintor, gravador, poeta, músico e ator do séc. XVII. Nascido em Nápoles, este fecundo artista atuou em diversos setores das artes, sendo que nos oitos anos que viveu em Florença sua residência conhecida como “Accademia dei Percossi” local de discussões e estudos de poetas, pintores e artistas em geral. Salvador Rosa, foi contemporâneo do Escultor e Arquiteto Barroco Gian Lorezo Bernini, profissional de imenso reconhecimento e respeito da época tendo em seu currículo a Catedral de São Pedro no Vaticano. Segundo registros, tamanho talento que até mesmo Bernini invejava e tinha Salvador como um inimigo.

Em 1640, Salvador concluiria um auto-retrato com olhos penetrantes e teor enigmático principalmente pela escrita em latim “AVT TACE AUT LOQUERE MELIORA SILENTIO” . O estilo de Salvator Rosa é Barroco, comum do período, caracterizado por retratos de fundo escuro e figuras iluminadas ou chiaroscuro como denominou Leonardo Da Vinci, Claro e Escuro. A questão filosófica deste retrato é a frase nas mãos do próprio Salvador que em português significa “Cala-te a não ser que o tenha a dizer seja melhor que o silêncio”, entendemos esta mensagem como o que Leonardo já chamava de cosa mentale, toda arte tem por obrigação transmitir algo seja incisivo como neste retrato seja contemplativo como numa aquarela de John Singer Sargent, é sua função social acrescentar questões reflexivas a sociedade, não sendo assim não será verdadeiramente arte.

Aqui temos uma releitura da obra de Salvador Rosa, usando a mesma frase, no entanto sob um novo olhar. A figura do falecido Rapper Paulistano “Sabotage” (1973-2003) impõe uma áurea mais urbana e de certa maneira mais suja visualmente, altamente ligada a linguagem do Cartaz que como Abraham Moles em seu clássico livro “O Cartaz”, destacou : “O Cartaz está sempre ligado ao espaço urbano”. A imagem de Sabotage e seu dedo indicador nos lábios num sinal de SILÊNCIO, agrega a frase apropriada da obra barroca. Certamente a releitura não partiu da imagem de Salvador e sim da frase emblemática desta obra.
Carlos Gomes, maestro e compositor brasileiro de grande sucesso na Itália no séc. XIX escreveu sua 5ª Ópera em homenagem a este grande artista da humanidade intitulada “Salvator Rosa”.

Waldir Bronson

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