Pop Art de Hamilton a Warhol

7 maio 2017

Os artistas da Pop Art evidenciavam em suas obras os ícones da cultura pop, propagandas, objetos de consumo e tudo que era produzido para a cultura de massa.  Nos anos 50 artistas norte-americanos e ingleses trouxeram ao mundo uma arte interessante, com cores vivas e temas do cotidiano daspessoas, como o Cinema, a Música e até os Quadrinhos. Os Pop artistas não tinham como objetivo mostrar ao mundo seu “eu interior” nem mesmo as desigualdades de um mundo devastado pela guerra, este movimento propôs uma nova estética, tão interessante quanto uma garrafa de Coca-Cola ou sensual como Marilyn Monroe.

Serigrafia “Marilyn Monroe” de Andy Warhol

A nova ordem mundial estabelecida após a 2º Guerra Mundial trouxeram algumas mudanças inclusive na arte, o Consumo dos produtos descartáveis é o foco duma sociedade sedenta por coisas de curta duração fez ressurgir a “obsolescência planejada” conceito que todo produto deve se tornar obsoleto afim do consumidor sempre comprar novos produtos. A cultura do pós-guerra do consumo e dos objetos descartáveis deram origem as coisas efêmeras.

Richard Hamilton(1922-2011) e a sua colagem “O que exatamente torna os lares de hoje tão diferente, tão atraentes?” é a obra que inaugura este movimento, dizem até que o pirulito POP presente neste trabalho é que deu origem ao nome do movimento. Esta colagem em particular trás diversos elementos que seriam temas recorrentes da Pop Art, como: A beleza do corpo feminino e masculino, Comida, Música, Quadrinhos, Cinema, Tv, Objetos Domésticos, Carros e Produtos do Consumo em Geral.

“O que será que torna os lares de hoje tão diferentes, tão atraentes?” de 1956

Outro artista muito importante é Roy Lichtenstein(1923-1997), sua obra é direta e de forte impacto como a Propaganda, porém utiliza de imagens de Histórias em Quadrinhos em escala maior, ampliadas manualmente. Muitas vezes estas imagens carregavam um balão com uma fala, mesmo assim as imagens são muito mais poderosas que sua mensagem verbal. As obras de Lichtenstein eram bem peculiares e muitas vezes inconfundíveis por realizar ampliações de cartuns e quadros de HQs. Umas das características de sua estética são as retículas, pontos gráficos utilizados em impressões  baratas. O estilo que Lichtenstein cunhou  nos anos 60 se tornou tão poderoso que o mesmo se confunde com a própria Pop Art.

Roy Lichtenstein pegava imagens de Histórias em Quadrinhos e as ampliava

Roy Lichtenstein em seu ateliê realizando uma pintura

Jasper Johns(1930) compôs a pré-pop art, um pouco diferente de seus colegas, Johns utilizava de procedimentos tradicionais da arte em suas obras como técnicas tradicionais de pintura e temas de pinturas famosas, se interessava também por  números, mapas, bandeiras, letras e rótulos. Pouco se sabe, mas Jasper Johns foi um exímio gravador trabalhando com litografia, gravura em metal e técnicas mistas sobre a gravura. As obras exaltando o espírito patriótico norte-americano foram as mais notáveis, como sua pintura Flag (Bandeira, 1954-55) e sua obra-prima Três Bandeiras(Three Flags,1958) onde o pintor executa através da técnica milenar da encáustica três bandeiras uma sobreposta a outra. Suas obras mais icônicas são dos anos 50 e 60, embora tenha produzido um vasto material.

“Três bandeiras” pintura em Encáustica de 1958

Na escultura a Pop Art teve como representante proeminente o sueco Claes Oldengurg(1929), suas esculturas de materiais modernos e formas arredondadas, seguem o padrão de utilizar produtos de consumo da sociedade, como suas esculturas moles: Hamburguer no Chão, Bolo de Chão e Sorvete de Chão de 1962.  As esculturas de Oldenburg  trazem a visão consumista norte-americana e muitas vezes fúteis da sociedade. Algumas de suas obras como Máquina de Escrever mole(1963), Batatas fritas derramando de um saco(1966), Vaso mole e Pia Mole (1966) são as de maior sucessos. Claes Oldenburg mais inovou na escolha de seus materiais do que na escolha de seus temas, suas obras eram recheadas com uma espuma de borracha especial cobertas com ou lona ou vinil, materiais extraordinários para aquela época.

Escultura “Cone Caido”(2001) de Claes Oldenburg na Neumark Galerie em Colônia da Alemanha

Também como Lichtenstein, Andy Warhol(1928-1987) utilizou os quadrinhos como tema nas suas pinturas no início de sua carreira nos anos 60, porém foi com as Sopas Campbell’s que sua obra se tornou notável, onde retrata 37 tipos de latas de sopas numa única obra, neste período fica evidente em sua obra a abundância de produtos comerciais e também de celebridades  como o ícone da atriz Marilyn Monroe, também foram retratados por ele Elvis Presley, Marlon Brando, Elizabeth Taylor e figuras políticas como Mao Tsé-Tung e Che Guevara.  A iconografia warholiana fica evidente o uso de imagens repetidas com alternações de cores e fundos variados, as cores utilizadas em suas obras são vibrantes, talvez uma metáfora ao lado glamoroso e superficial dos ícones retratados em suas obras. Seu ateliê “The Factory” em Nova York foi um misto de encontro de estrelas hollywoodianas e figuras underground da época. Além de artista visual Andy Warhol teve aspirações à cineasta realizando filmes underground com assuntos da cultura gay e cenas de sexo, entre este estão: “The Chelsea Girl”(1966) e “My Hustler”(1965). Warhol produziu também o disco da banda “Velvet Underground” de Lou Reed.

Um acontecimento um tanto trágico na vida Warhol foi o incidente com a feminista e prostituta Valerie Solanas em 1968. Valerie entregou o texto de sua peça de teatro ”Up your Ass” para Warhol produzir seu trabalho, além de negar a proposta  acabou perdendo o script  da peça, revoltada com tal desprezo Solanas planejou uma vingança mortal esperando o artista na porta de seu ateliê, Solanas disparou diversos tiros atingindo não só Warhol, mas também seu assistente Fred Hughes e o crítico de arte Mario Anaya. Valerie Solanas foi condenada a três anos de prisão, porém Wahrol nunca mais foi o mesmo, pois não se recuperaria após esta situação traumática de tentativa de assassinato.

Matéria jornalística do atentado contra Andy Warhol em 1968

 

 

Waldir Bronson

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