“Papa Inocêncio X” de Velázquez a Bacon

2 novembro 2013

Este texto tem como objetivo fazer uma analogia entre as obras Papa Inocêncio X do pintor barroco espanhol Diego Velázquez(1599-1660) e a releitura do pintor irlandês Francis Bacon(1909-1992). Antes de qualquer conclusão, precisamos entender o contexto em que estes dois artistas estavam inseridos, um do séc. XVII, pintor da corte espanhola e Acadêmico, outro totalmente desligado aos cânones da arte, pintor pós-guerra e de característica particulares e artísticas chocantes.
Quando Diego Velázquez, encontrou o Papa Inocêncio X em Roma, sentiu seu desafio em retratar o pontífice num curto espaço de tempo. Percebesse nas pinceladas diretas de Velázquez que foi um quadro realizado rapidamente, mas com uma veracidade quase única em toda história da arte. Quando o mesmo(Papa) teve em mãos o famoso retrato, proferiu as seguintes palavras: Troppo Vero, ou seja Muito Verdadeiro.

Os Papas do Horror de Francis Bacon
Francis Bacon veio de uma família inglesa radicada em Dublin na Irlanda, seu pai major do exército inglês e um treinador de cavalos frustrado, austero e moralista, chibatava o menino Francis Bacon por o achar muito distante do que esperava. Tudo isso fez com que Francis Bacon criasse aversão a figura do pai, tendo tendência ao homossexualismo e negando totalmente a figura de Deus, um ateu declarado. Tanto o comportamento particular de Bacon, como sua arte se misturam e não podem serem analisadas de forma distinta. O fato de Bacon ter vivido duas Guerras Mundiais e ter visto de perto a Hecatombe que foi a Segunda Guerra Mundial, fez com que sua pintura refletisse e questionasse até onde existe “humanidade”. Quando vivia em Londres Bacon viu os corpos serem esfacelados pelos bombardeios alemães que destruía a cidade diariamente, todo estas vivências refletiram em sua pintura disforme e caótica.
Na obra “Papa Inocêncio X”(1649) o retrato de Velázquez, o semblante do Papa traz um ar de severidade, com uma mistura de cansaço, por se deparar com inúmeros problemas que vivia com o papado. A pose da figura autoritária sobre o trono dourado de Inocêncio X, faz de Velázquez um retratista ímpar da pintura antiga. O fascínio que Francis Bacon adquiriu por esta obra fez com que fizesse inúmeras releituras deste quadro, uma mais assustadora que a outra. As linhas que cruzam a obra de Bacon convergem para o centro e atravessam o Papa, o semblante de desespero é evidente, e diferente do plácido Papa Inocêncio X de Velázquez o Papa de Bacon, parece esmagar o braço da cadeira, agonizando e dando um grito. Um dos principais símbolos da iconografia de Bacon é a BOCA, esta boca gritando faz parte de dezenas de suas obras, isto tem ligação pelo fascínio que Francis Bacon tinha pelo filme “Couraçado Potemkim” de 1925 do diretor russo Sergei Eisenstein, numa das cenas clássicas deste filme uma senhora atingida por um tiro, abre a boca veementemente. Vejam a foto e o filme que influenciou decisivamente a obra do pintor irlandês.

Muitos falam que o fato da pintura de Bacon ser toda fragmentada, com braços e pernas e corpos mutilados, são devido a experiência que teve durante os bombardeios nazistas a cidade de Londres e dos horrores do Holocausto, mas uma das afirmações pessoais de Francis Bacon é que o artista que mais o influenciou foi Pablo Picasso e seu estilo inconfundível Cubista que separava e fragmentava as figuras em diferentes ângulos.

“Papa Inocêncio X” de Velázquez (1649)

Estudo sobre a obra Papa Inocêncio X, de Francis Bacon, 1953

Releitura da obra de Velázquez por Francis Bacon

Waldir Bronson

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