Johann Gütlich: Expressionismo em terras brasileiras

12 julho 2018

Johann Gütlich(1920-2000) foi um artista holandês radicado no Brasil. Sua história começa em Roterdã, onde nasceu, ainda jovem se interessa pela pintura e pelas artes plásticas. Johann Gütlich foi dono de um traço marcante e de cores intensas, sua pintura pode ser classificada como “expressionista”, porém possui características distintas por pertencer a um grupo de artistas que trazia a tradição flamenca da pintura de Rembrandt, Frans Hals, entre outros. É um expressionismo com raízes profundas oriundas do barroco holandês, com contrastes intensos e fundos escuros aveludados, como afirmou com propriedade o crítico de arte Oscar D’Ambrosio: Os seus retratos, de cunho expressionista, diferenciam-se do gênero praticado na Alemanha por terem como uma referência onipresente a fineza dos mestres holandeses. Isso que dizer, em termos visuais, uma sensibilidade a toda prova na forma de captar e de representar pictoricamente estados d’alma. 

Série de retratos sobre o Sertão Nordestino “Cangaceiro”

Desta escola de pintura holandesa expressionista pertenciam:  Constant Permeke (1886 – 1952) Leo Gestel (1881 – 1941) Hendrik Chabot (1894 – 1949), este último foi seu professor na Academia Artes e Ciências de Roterdã e teve grande influência em seu trabalho.

Série de retratos sobre o sertão nordestino “O Cangaceiro”, baseado no filme homônimo de Lima Barreto de 1953

Johann Gütlich ainda em Roterdã, realizando uma pintura

A trajetória de Johann Gütlich divide-se em duas partes: européia e brasileira, sua arte veio de terras distantes, mas fundiu-se e influenciou-se pela cultura tupiniquim. Da Europa trouxe sua experiência com as vanguardas europeias e a prática da gravura, na pintura sua obra é dividida em duas fases:  Expressionismo Figurativo(1930-1969) e Expressionismo Abstrato(1969-2000).

Pintura Abstrata Informal da Segunda Fase do artista

Durante a Segunda Guerra Mundial a Holanda é invadida 1940 pela Alemanha Nazista, a cidade de Roterdan rapidamente cairia em mãos nazistas e logo seria devastada pela Guerra. Nesta época Johann Gütlich se torna interprete do exército Canadense. Após a Guerra horrorizado com as monstruosidades acompanha um grupo de ciganos em direção ao Marrocos. Em 1952 recebe convite do Museu de Arte de São Paulo(MASP) e do MAM-RJ e vem ao Brasil e aqui se estabelece. Em 1962 é convidado para coordenar e montar a Escola de Belas Artes do Vale do Paraíba em São José dos Campos-SP, onde foi professor e diretor.  Em 1985 é convidado a participar 18ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, na Sala Especial “Expressionismo no Brasil”.

“Paisagem com Vaca” ainda do período europeu do artista, nota-se uma grande influência dos movimentos modernos da época, sobretudo o Expressionismo e Fauvismo

Johann Gütlich é o típico artista estrangeiro que se vê inundado pela cultura brasileira, e por um golpe do destino veio viver neste país, agregando toda técnica e pincelada incisiva de cores que remetem a alegria e o clima tropical ou os dias nebulosos e nublados dos campos neerlandeses. “O Cangaceiro” (1953) de Lima Barreto não fugiu de seu olhar  e foi eternizado em uma tela, nem o ator Sergio Cardoso quando vivia o filósofo grego Esopo. Seus retratos tem um carga sentimental, no semblante dos rosto, e no exagero das formas como é característico do expressionismo. Sua arte abstrata parece revelar figuras miméticas, mas que se fundem nas massas de cores e pinceladas espessas. Um artista que deixa um legado como artista, professor e como pai do também artista George Gütlich(1968). Num país com tantas injustiças culturais onde grandes mestres são esquecidos e meros tolos são lembrados por suas experiências comerciais, sem dúvida sua arte sobreviverá para contar a sua história.

Retratos de Palhaço foi algo recorrente em sua obra,sempre com uma atmosfera melancólica

 

 

 

 

Waldir Bronson

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