Expressionismo Abstrato: Pintura e Ação

3 Maio 2018

O caminho pelo qual a pintura abstrata enveredou no séc.XX mostrou sua experiência em suas ultimas consequências no âmbito da pintura.  Artistas exploraram a expressão por si só, não atrelada a temas e direcionamentos políticos ou religiosos, a abertura de uma interpretação estava por conta do espectador, por conta de sua subjetividade e de sua intensidade, esta corrente abstrata que se iniciou na Europa e migrou para América, ficou conhecido nos Estados Unidos como “Escola de Nova York“.

Para muitos esta postura adotado seria nada mais que o reflexo de um período conturbado no qual a sociedade em geral vivia. Amy Dempsey sitou em seu livro “Estilos, Escolas e Movimentos” o reflexo da sociedade sobre a arte: “O fato de crescer sob a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial havia levado a um perda da fé nas ideologias dominantes e nos estilos a elas associados…” Essa não foi a batalha mais bárbara da história humana e nem será a última, porém o contexto em que estes artistas estavam inseridos o fizeram se comportar desta maneira. Se voltarmos alguns séculos antes e depararmos com situações semelhantes a essa poderemos fazer um paradoxo, exemplificando com a obra “Três de maio de 1808” de Francisco de Goya e sua série “Os Desastres da Guerra”, estas patenteiam a crueldade e horror no qual se está inserido na época, embora não possa ser sua intenção os artistas abstratos da metade do século XX trazem consigo muitas vezes desintencionalmente um comportamento absurdo e ao mesmo tempo sem refinamento que transmitem essa revolta a qual muitos se referem. Os artistas Arshile Gorky, Hans Hofmann, Willen de Kooning, Jackson Pollock, Mark Rothko, entre outros, tomaram uma postura artística na qual ficaram conhecidos pela semelhança entre seus trabalhos, um detalhe interessante que com exceção de J. Pollock, todos os outros eram estrangeiros, observando também o aspecto da cidade de Nova York se tornar a “capital mundial das artes”, após a 2ªGuerra Mundial.
Uns dos primeiros a iniciar este estilo chamado “Expressionismo Abstrato” foi o pintor armênio Arshile Gorky, este artista armênio radicado nos Estados Unidos sofreu influências sobre tudo dos europeus: Kandinsky, Miró entre outros, seu tratamento quanto a tela não era tão violento quanto seus companheiros, porém seu desenho pré-definido e seu “vocabulário de signos” como disse Argan, é o alicerce para que as cores, que não são tão intensas como de seus sucessores, seja entrelaçada como uma certa harmonia.
De Konning como ficou conhecido, trouxe da Holanda sua terra natal uma expressividade intensa e violenta, com tinta carregada e muita gestualidade, não fugindo a regra. Amigo intimo de Gorky, este lhe mostrou o novo caminho, no qual seria influenciado fatalmente. Mesmo usando signos miméticos que é o caso de sua série “Mulheres”, sua obra tem uma tensão pouco vista na arte, sobre um tema que pode ser interpretado de várias maneiras.
“Action painting” foi o termo usado pelo crítico Harold Rosemberg em 1952, para defirnir o estilo feito por Jackson Pollock, sua técnica consistia em jogar a tinta sem tocar o pincel na tela, simplesmente respingava fazendo o que a príncipio se tornou uma pintura caótica e extremamente gestual, com o pano estendido no chão ou apoiado na parede, seus implacáveis movimentos registravam como numa golfada de sangue dum golpe a verdade energia e o simbolo de seu movimento artístico, a ação do pintor foi registrado por Hans Namuth feito para a revista Life em 1951(vídeo abaixo). Ao se comentar sobre o acaso na suas pinturas, Pollock disse: “Quero expressar meus sentimentos mais do que ilustrá-los…Eu posso controlar o fluir da tinta: não há acaso, assim como não há começo nem fim.” Embora Pollock tenha sido um dos precursores deste estilo, muitos no futuro se apoderaram desta maneira de pintar, sem o mesmo resultado e sem a contextualização no qual este estava inserido, o que parece simples, pode ser apropriado como uma fuga por alguns artista na falta de alguns talentos e na incapacidade de seguir outros estilos.

Wassily Kandinsky – Composição Nº5, 1911

Arshile Gorky – O fígado é a crista de galo, 1944

Jackson Pollock – Nº 8, 1949

Waldir Bronson

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