Entrevista com Guto Lacaz

17 maio 2018

Carlos Augusto Martins Lacaz  ou como é mais conhecido Guto Lacaz(1948) é um artista paulistano que trabalha com diversas mídias e não tem limites para sua inventividade.  Formado em Arquitetura e Urbanismo (FAU-São José dos Campos), desde jovem Guto teve um grande interesse pelas artes.  Guto Lacaz é a síntese do artista contemporâneo, pois nele está reunido quase todas as vertentes das artes visuais, como design, ilustração, instalação, vídeoarte, objetos, performance, intervenção urbana, entre outras.  Existe uma conexão muito forte no trabalho deste artista entre Arte, Ciência e Tecnologia, podemos ver objetos  do nosso cotidiano transformados em Arte, mudando o sentido e formas das  coisas numa poética bem particular como em suas obras: Óleo Maria à Procura da Salada (1982)Crushfixo (1973).  Sua experiência não tem limites, na obra Biciclóptica(2015) onde círculos são acoplado a uma bicicleta e se movimentam causando um efeito visual e cinético interessante. A baixo segue a entrevista com este artista multifacetado.

Entrevista:

Olá Guto Lacaz, primeiramente é uma honra imensa tê-lo em nosso site. As perguntas a seguir são sobre sua produção artística, para o público entender como você criar suas obras e da onde elas surgem.

Grande prazer Waldir!

Você se lembra qual foi seu primeiro contato com a Arte?

Na minha infância havia muito desenho, nos livros, revistas, cinema, anúncios e amigos que desenhavam bem sem querer eu estava tendo um contato com a base da arte, sem saber

Quando vejo seus trabalhos lembro de Leonardo Da Vinci, ele estava sempre inquieto, ora pintando, ora fazendo um protótipo de algo, ora estudando anatomia e assim por diante. Conte nos como é percorrer por tantas linguagens como é seu trabalho.

Foi um caminho natural primeiro o desenho, depois pequenas construções que chamamos de objeto – quando entrei profissionalmente em artes plásticas em 1978 comecei a frequentar o meio e a me encantar com a diversidade de manifestações para cada uma eu falava comigo mesmo: também quero fazer isso – daí as oportunidades iam surgindo, colegas me convidavam para coisas que nunca havia feito e descobria uma nova área rica em possibilidades mas, acho que tudo é a mesma coisa – ideia e desenho – ora no papel, ora no espaço, ora no palco, na TV, na arquitetura, na cidade etc.

Guto, você é um artista visual que tem formação acadêmica em Arquitetura, além de suas habilidades em engenharia. Como sua formação acadêmica influenciou na sua produção artística.

Quase tudo que faço passa pelo método do projeto – questão, concentração, ideia, solução – croquis, desenho técnico, modelos ou maquete, etc erros e acertos.

O “humor” é um elemento que está muito presente em suas obras como por exemplo na obra “Óleo Maria a procura da salada” e a performance “Maquinas V”. Da onde surgem estas inspirações?

No ginásio vocacional eu tinha um colega muito engenhoso, o Paulo Roberto, que fazia latas andarem. ele colocava um eixo com um motor tangenciando a superfície interna, colocava lata no chão e ela saia rolando! isso na década de 60 era o máximo. o Óleo Maria é meio neto dessa ideia primordial o humor vem de família, de amigos, dos cartuns, das comédia e comediantes sempre preferi o engraçado ao sério o Máquinas começou com uma colagem de cenas que fazia no Encontro com a Arte e a Ciência no TV MIX IV TV Gazeta, com Serginho Groisman. outro amigo que me colocou 3 anos na TV ao VIVO! ( anos 90 ).

Uma das vertentes do seu trabalho é a Poesia Visual. Quando você começou a realizar trabalhos nesta linguagem?

Um dos primeiros trabalhos que fiz foi o Crushfixo ( 1973 ) que na época eu achava que era um cartoon tridimensional e hoje posso dizer que e´ também um poema objeto depois comecei a dar títulos lúdicos para os trabalhos por volta de 2017 comecei a fazer alguns poemas visuais e editei uma pequena brochura – inveja o inveja foi crescendo e em 2014 reeditei com 300 páginas, ou, mais ou menos isso hoje, com o face book, tenho feito regularmente pra comentar alguma notícia que me toca.

Guto Lacaz é um ser inventivo, que foge do perfil do artista tradicional que ficava atrás do cavalete. Você acha que o público vê você como um artista ou como um inventor?

Nunca inventei nada, só crio ilusões, mas hoje o artista de cavalete é apenas uma das possibilidades. O público já está acostumado com instalações, performances, videomaping(?), intervenções urbanas… existem muitos artistas como eu mas talvez eu seja único no que eu faça.

Você acredita que Arte e Tecnologia cada vez mais vão ser coisas inerentes?

Sim, desde a pintura rupestre

O que você diria para um artista que está começando?

Envelheça! ( Nelson Rodrigues )

Mais uma vez agradeço por ter aceito meu convite para a entrevista e vamos estar sempre acompanhando seu trabalho

 

Crushfixo (1973)

 

Óleo Maria à Procura da Salada (1982)

Performance “Máquinas V” Javier Judas e Guto Lacaz

Instalação Eletro Esfero Espaço (2016)

Poema Visual

 

Waldir Bronson

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