Entrevista com George Gütlich

7 abril 2017

O artista plástico George Rembrandt Gütlich nasceu em São José dos Campos (SP) em 1968. Formado em Artes Plásticas, tem especialização em Museologia e mestrado em Ciências Ambientais, com a dissertação intitulada “Arcádia Nassoviana. Natureza e Imaginário no Brasil-holandês” pelaUniversidade de Taubaté. É doutor pelo Instituto de Artes da UNICAMP, com tese intitulada: Teatro da Memória; a eloquência das ruínas na paisagem urbana. Em 2016 realizou Pós-Doutorado em Arquitetura pela Universidade de Lisboa com o tema: Alvenaria de Tijolos como poética arquitetônica, estudo do complexo fabril tecelagem Parahyba.
Dentre as principais exposições coletivas destacam-se as da Universidade de Santiago (Chile), em 1993; Coletiva de Gravadores Paulistas – UNB, em 1994; Internacional Mail Art – Havana (Cuba), em 1995; Mostra de Gravura Rio – Rio de Janeiro (1999); Cartografias Poéticas – Galeria Gravura Brasileira – São Paulo (2000)/Faculdade Santa Marcelina, São Paulo (2000)/ Museu Gran Vasco, Viseu, Portugal (2001); Brasilianische landschaft, Berlim, 2004 e Homenaje al caracol, Guadalupe, Zacatecas, México, 2006.

Realizou exposições individuais em galerias de arte do Vale do Paraíba (SP), no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, em 1995, na Galeria SESC Paulista, em 1997, Galeria SESC de SJCampos, em 2001, Galeria Augusta 664, em São Paulo, em 2003, e no Museu Nacional de Malta, Valletta, Malta, em 2005.

 

Olá George Gütlich é um prazer tê-lo como entrevistado, fale como você começou sua vida artística? 

Olá, Waldir.

Minha vida artística começou aos treze anos, quando me decidi que não poderia fazer outra coisa senão desenhar e descobrir o que ainda me intrigava: a gravura em metal, por mim recém descoberta e que era uma mistério. Não sabia como era feita, apenas algumas referências dadas por meu pai.

Não poderia deixar de lembrar de seu pai Johann Gütlich, um grande pintor expressionista de origem holandesa, conte para nós qual foi sua influência sobre sua obra.

Meu pai era pintor. Então, minha existência sempre esteve marcada pelo ambiente de atelier, muito embora a cidade de São José dos Campos, naquela época (anos 1970 e início dos anos 1980) fosse bastante medíocre em espaços culturais, salvo a extinta galeria do Sol, do marchand Ênio Puccini.

A influência de meu pai se deu principalmente pela ética do trabalho, pela verdade na profissão e pela busca incessante pela beleza, manifestada ao nosso redor e nas coisas mais simples.

Podemos perceber na sua obra a presença marcante da Gravura, sobretudo da técnica água-forte, conte para nós como começou isso e por que escolheu esta técnica. 

A gravura me tomou ainda muito novo. Aliás, foi por ela que não duvidei em ser artista. Via tudo em forma gráfica. A água-forte, por sua vez, mais que um processo é uma expressão plástica e exige que se entenda suas vontades…estou tentando.

Fale um pouco da sua relação entre arquitetura e sua obra artística.  

A arquitetura sempre fez parte de meu imaginário gráfico. Os edifícios me atraíam como se fossem personagens, como se tivessem animosidade. esta associação continuou e se aprofundou depois que fui lecionar no departamento de arquitetura  há 26 anos atrás. Culminou em muitas imagens em que fui explorando cada vez mais fundo as questões retóricas das construções. Além disso desenvolvi esta ideia em minha tese de doutorado e  na investigação de pós-doutorado.

Como você vê atualmente o momento das artes visuais no Brasil e no mundo. Você acha que o artista tem um papel importante na sociedade ou a Arte Contemporânea virou um grande mercado? 

No momento estou recolhido em meu trabalho e não tenho opinião formada sobre este assunto.

Quais artistas você poderia citar de destaques das artes visuais? 

Prefiro falar de obras que de artistas. tenho receio de estigmatizar pessoas como modelos…este é um mal que acompanha a História da arte. Há tantos acertos quanto erros. Me divirto tanto em grandes obras quanto em estampas mais singelas. Acredito que, se escolhemos apenas algumas pessoas como referência, ficamos reféns das mesmas.

Agradeço muito sua participação, esperamos vê-lo produzindo muito e colaborando com as artes visuais e a gravura no Brasil

Eu, por minha parte, é que agradeço este convite e parabenizo você pela iniciativa e entusiasmo de sempre, um abraço.


De Etser – Ateliê de George Gutlich

Endereço: Av. Rui Barbosa, 2225 – Santana, São José dos Campos – SP, 12212-000
Telefone: (12) 3941-7972

Gravura em Metal (Água-Forte) série Ruínas

Johann Gütlich pai de George, pintor Holandês radicado no Brasil

Gravura baseada na obra de Peter Brueghel “Babel” de 2006

Têmpera “Taubaté” de 2012

 

“Chaminés” Água-Forte e Água-Tinta, 1993

Embaré, Taubaté – Xilogravura de 2009

 

Waldir Bronson

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