Discutindo a Arte: Grandes Pintores Russos

4 novembro 2012

Me recordo que anos atrás frequentando o ateliê de pintura do Professor Hélio Barbosa, conheci por ele uma escola de pintura na qual havia alcançado altíssimo nível realístico como poucas escolas de pintura alcançaram. Esta Escola embora desconhecida do grande público deixou belíssimas obras primas que não passaram pelo filtro das grandes publicações de História da Arte.
A mais de mil anos atrás quando as colunas da arte construíam a iconografia Cristã com alicerces a serviço da fé a chamada Arte Bizantina o leste europeu abriu as portas de suas expressões, unindo o Ocidente com o Oriente, principalmente do oriente. Os pintores do leste, descendentes de tribos Eslavas, como os Russos, foram mestre na arte pictórica, sendo estes os primeiros artistas da arte deste país. Entre os mais destacados está Andrei Rublev, artista de grande expressividade e devoção cristã. Abaixo está um Ícone Russo, como são conhecidas as pinturas religiosas dos países Cristãos Ortodoxos, geralmente estas imagens são penduradas no canto alto da residência para a devoção. Nos anos 60 o famoso cineasta Andrei Tarkovski fez um filme sobre este importante artista, clique aqui e assista..
A Rússia, vivia até o reinado de Pedro, O Grande, um período de isolamento e dificuldades como pode se ver no filme citado “Andrei Rublev“, apartir do governo deste monarca foi aberta as portas em busca das evoluções da Europa Ocidental, principalmente França e Itália. Modernizando todos os setores russos tanto na Arquitetura, Escultura e Pintura. Do fim do séc. XVIII até chegar no século XX, este país viveu glorias em suas artes.
A fundação da Academia Real de Artes de São Petersburgo foi um marco, sendo esta a mais antiga academia de artes da Rússia. Fundada em 1757 pela filha de Pedro, O Grande a Imperatriz Elizabeth, A Grande, trouxe diversos nomes de peso para as artes russas, lecionava-se lá Pintura, Escultura, Artes Gráficas e Arquitetura. Esta primeira fase da Nova Pintura Russa pode se notar forte influência da arte Italiana, Francesa e até Inglesa, alguns nomes da Pintura Russa deste período merece destaque como: Dmitri Levitsky, nascido em Kiev, foi estudante da Academia de São Petesburgo, estudou com Jean-Louis Langrenée, recebendo orientações do retratista sueco Alexander Roslin, sua pintura é sóbria e prevalece os retratos. Vladimir Borovikovsky, foi retratista da corte de Alexandre I, seus retratos são vivazes e ousados nas cores, nota-se em ambos uma influência “real” ou “ocasional” da pintura inglesa , sobretudo de Thomas Gainsborough. Outros deste período de destaque são: Fyodor Rokotov e entre os estrangeiros que atuaram neste país está a maior do séc. XVIII a pintora francesa Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun.

Século XIX, a glória da Pintura Eslava

No século XIX, houve um pintor entre as dezenas, que fugiu a regra da pintura russa inexplicavelmente, seu nome é Alexander Ivanov, muitos livros atuais citam este artista. Ivanov, nasceu e morreu em São Petersburgo, estudou na Academia Real de Artes daquela cidade e herdou do pai o talento, talvez seja mais reconhecido por ter uma pintura mais ocidental que os demais.
Com excessão de Ivanov, o século XIX foi o ano de glória da pintura figurativa russa, embora isso não seja revelado. Ilya Repin, Ivan Shishkin, Abram Arkhipov, Konstantin Savitsky, Rafail Levitsky e Ivan Kramskoi, entre outros foram os proeminentes. Presos ao antigo estilo clássico de pintura acadêmica devido aos padrões impostos pela academia, vários artistas se rebelaram por se negar a continuar a pintar temas sacros ou mitológicos, em forma de protesto alguns artistas se desligaram da Acadêmia Real, culminado numa Sociedade de Artistas Russos de Exibições Itinerantes, com áurea de movimento, como ficou conhecida a “Peredvizhniki” (Itinerantes em Russo), esta libertou diversos artistas dos grilhões da academia, mas não seguiram os caminhos da arte francesa moderna, migraram a visão ambiental e mantiveram um figurativismo verdadeiro, mas sem perder franqueza da realidade russa daquela época.
Alguns pintores como Ivan Shishkin(1832-98), enveredou numa visão natural, buscando um aspecto fotográfico na sua pintura, capitando a natureza e o clima frio de seu país. Muito realístico e de uma poética bem própria.

Ivan Shishkin, realista demais para ser Moderno, diante dos olhos dos “Historiadores da Arte“
Ilya Repin(1844-1930) é um grande pintor de retratos, cenas épicas e também pintor documentando cenas sociais. Seja em retratos tradicionais ou coletivos, sua pincelada é solta de um colorido vivaz, aproximando um pouco da técnica dos franceses, mas longe no globo ocular. Sua visão é resumida num Realismo Crítico.

Resposta dos Cossacos Zaporozhian ao Sultão turco Mehmed IV do Império Otomano, 1890-91
Ivan Kramskoi (1837-87) foi o líder do Movimento “Itinerantes”, exímio desenhista, consegue captar o semblante humano como poucos, sua produção é vasta em retratos, um tanto estático e formal, mas espiritual na questão pictórica. Sua técnica lembra vagamente Velázquez, embora qualquer comparação a um pintor seja pequena, diante dos vastos elementos que compõem a formação de um artista.

Diante da gama de assuntos e curiosidades que estes artistas citados detém, um texto como este é minúsculo, porém não é preciso ser um grande conhecedor de arte para notar a injustiça que os filtros históricos fazem ao ocultar nomes tão preciosos, mostrando que a visão dos veículos de informações documentais também cometem equívocos.

Andrei Rublev – Arcanjo Gabriel , 1410

Dmitri Levitsky – Condesa Ekaterina Artminiev, 1790

Vladimir Borovikovsky – Bispo da Igreja Ortodoxa Russa

Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun – Auto-Retato, 1790

homas Gainsborough – O Menino Azul, 1770

 

Ivan Shishkin

Ivan Shishkin, realista demais para ser Moderno, diante dos olhos dos “Historiadores da Arte“

Ilya Repin – Rebocadores de Barcaças do Rio Volga, 1870 – 73 “Talvez um prelúdio crítico preparatório ao Comunismo”

Resposta dos Cossacos Zaporozhian ao Sultão turco Mehmed IV do Império Otomano, 1890-91

Ivan Kramskoi – A mulher desconhecida, 1883

Mina Mosileyeve – Camponês segurando um freio, 1882

Waldir Bronson

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