Discutindo a Arte: Grandes Pintoras da História

10 março 2013

Desde os primórdios, as artes sempre foi majoritariamente uma prática masculina, com raros nomes do sexo feminino, por um único motivo: preconceito. Este ensaio vem mostrar o que foi omitido pelos filtros históricos, pelo mesmo motivo na qual estas sofreram enquanto viveram para lutar por amor e dedicação para seguir uma profissão das mais antigas, chamada “Artista”. Segue desde a Renascença, passando pelo Barroco, Rococó, Impressionismo e Expressionismo artistas mulheres que fizeram história conseguindo seu espaço entre tantos pintores.

A primeira artista a ter destaque na História da Arte vem da Alta Renascença, é a italiana Sofonisba Anguissola (1532-1625), filha de um homem esclarecido que educou suas filhas como seus filhos, Sofonisba teve uma educação sólida, pintora respeitada internacionalmente. Certa vez impressionou até Michelangelo Buonarroti com seu desenho: Asdrúbal mordido por um caranguejo (1554). Pelo impedimento de pintar grandes obras, ao passo que trabalhos com temas históricos, épicos e modelos nus eram permitidos somente para artistas homens, assim Sofonisba se especializou em retratos, realizando dezenas deles e inúmeros auto-retratos, dando maior vivacidade a este tema. O grande pintor Flamenco Sir Anthony Van Dyck, admirador dos retratos de Sofonisba Anguissola, famosos pela Europa, procurou-a certa vez e retratou-a em sua velhice na Sicília.

Sofonisba Anguissola – Auto-Retrato no Cavalete, 1556

Sir Anthony Van Dyck – Sofonisba Anguissola, 1624

Forte e intensa como seu tempo, nossa segunda artista é Artemisia Gentileschi (1593-1652), entiada do artista Orazio Gentileschi, ambos também italianos. Influenciada pelo estilo barroco de Caravaggio, devido a seu padastro ser admirador do estilo tenebrose do pintor da Lombardia, não somente por tais motivos, Artemisia Gentileschi expunha de forma expressiva a natureza humana, com ousadia e energia, como ela mesmo descreveu: “Você encontrará a vitalidade de César na alma de uma mulher“, assim era Artemisia. Sua obra mais famosa é o tema bíblico: Judith e Holofernes, na qual retrata a passagem do antigo testamente onde a sensual viúva Judith atrai o General Assírio Holofernes, subordinado do Rei da Babilônia Nabucodonosor e decapita-o, levando sua cabeça ao povo judeu, que ganham a batalha contra o império inimigo. A escolha de temas fortes e épicos, era uma afronta, já que tais temas não poderiam ser realizados por mulheres, Artemisia foi uma mulher sagaz e fez sua cliente-la masculina. Quando jovem, aos 17 anos foi estuprada por um colega de seu padastro, tal acontecimento mudou profundamente sua visão do mundo, isso refletiu diretamente em sua arte sempre profunda, rebelde e sobretudo Barroca.

Artemisia Gentilesch – Judith e Holofernes, 1611-12

Nascida em Paris em 1755 Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun, foi filha de um pintor que lhe deu seus primeiros ensinamentos de pintura, não diferente de Sofobisba Anguissola, seguiu o caminho de retratista, alias exímia quase sempre retratando mulheres. Semelhante também a Artemisia Gentilesch, Élisabeth teve grande aceitação comercial, produzindo cerca de 800 obras entre retratos e paisagens. Foi uma pintora de retratos da nobreza, não fugindo do Estilo de seu período: O Rococó. Casou com um “Pintor-Marchand” Jean-Baptiste-Pierre Le Brun, retratou a última rainha da França Maria Antonieta esposa de Luís XVI, inclusive em 1781 quando viajou a Flandres para estudar a pintura Flamenca, retratou o Príncipe de Nassau. Durante a Revolução Francesa, passou por diversos países da Europa: como Itália (Florença), Áustria, foi membra da Academia de Belas-Artes de São Petersburgo na Rússia, retratando a família imperial de Catarina, A Grande e influenciando a pintura Neo-Clássica Russa. No reinado de Napoleão retornou a Paris vindo a falecer em 1842.

Élisabeth Vigée-Le Brun – Auto-retrato com Chapéu de Palha, 1782

Mary Stevenson Cassat (1844-1926), foi a representante feminina e estadunidense do Impressionismo Francês, amiga do artista Edgar Degas, Cassat participou da quarta exposição Impressionista em Paris. Mary, veio de uma família norte-americana muito rica e estudou na Academia de Belas-Artes da Pensilvânia, seu estilo sempre foi muito feminino e comportado, sempre retratando o cotidiano da mulher burguesa do séc. XIX, acima de tudo a relação materna. Referente a sua estadia européia e sua proximidade com o francês Edgar Degas, o pintor revelou: “Existe uma mulher que sente as coisas como eu sinto”. Mary Cassat foi uma grande propagadora do Impressionismo nos Estados Unidos.

Mary Cassat – O Chá das Cinco, 1880

Os dois nomes aqui evidenciados, são as duas artistas mais famosas do Expressionismo Alemão, a primeira é Paula Modersohn-Becker (1876-1907), nascida em Dresden, Paula teve uma vida curta e intensa, a princípio sua experiência alemã por incrível que pareça, não foi nada inovadora. Somente numa viagem a Paris em 1903-1905, teve contato com os olhares modernos das obras de Paul Cézanne, Paul Gauguin e Vincent Van Gogh, assim teve repertório para realizar inúmeras obras verdadeiramente modernas, sempre de tons e pinceladas fortes, entre elas auto-retratos ousados, nua e até grávida. Pouco tempo após o nascimento de sua filha, Paula Modersohn-Becker faleceu, aos 31 anos vítima de embolia-pulmonar. Paula Modersohn-Becker é mais conhecida nos países Germânicos, mesmo assim tem um trabalho notável, digno de estudo. A segunda Expressionista, talvez seja entre os gravadores de seu tempo, a maior, seu nome é Käthe Kollwitz (1867-1945). Sua obra é um mosaico social e político de seu tempo, simpatizante do Socialismo, Käthe buscou mostrar nas suas gravuras, desenhos e esculturas a decadência Alemã do início do século passado, alias mostrou como ninguém a dramaticidade explicita das minorias, com energia e realismo. De aproximadamente 1921 a 1923, Käthe Kollwitz realizou a série de xilogravuras intitulada “Guerra“, que narra a destruição moral e o horror da Primeira Guerra Mundial, diferente do artista espanhol Francisco Goya que na sua série semelhante “Os Desastres da Guerra” (1810-15) enfocou o relato brutal e covarde das atrocidades cometidas pelo Exército Napoleônico em seu país, Kollwitz focou nas mulheres, nas viúvas, nas esposas que perdem seus maridos, seus filhos para lutar numa guerra que não é de ninguém. Até o fim da vida seu trabalho teve este caráter social, sempre muito expressivo evidenciou os desvalidos, as mulheres, as crianças, os miseráveis, os camponeses, os tecelões, em suma: O Povo.

A Maternidade

Vemos nestas artistas um anseio muito grande em trabalhar e além disso um ponto em comum: A Maternidade, a eterna relação “Mãe e Prole”, bastante forte, ora explicita, ora terna. Num contexto singular vemos as duas últimas artistas viverem seus dramas, Paula Modersohn-Becker falece em 1907 pouco depois do nascimento de sua filha e Käthe Kollwitz sempre usando o tema “Criança” na sua obra, numa busca declarada pela perda de seu único filho Peter em 1914.

Paula Modersohn-Becker -Mãe Reclinando com Criança, 1906

Käthe kollwitz – Xilogravura “Auto-Retrato”, 1923

Käthe Kollwitz – Xilogravura “As Mães” da Série “Guerra”, 1921

Francisco Goya – Água-Forte da Série “Os Desastres da Guerra”, 1810-15

Pintoras Portuguesas do Séc.XX

Maria Helena Vieira da Silva, a Vieira da Silva (1908 – 1992) foi uma importante pintora abstrata portuguesa, sendo uma representante proeminente do Abstracionismo Informal europeu. Vieira da Silva estudou com o cubista Fernando Léger em Paris e casou-se com o pintor húngaro Árpád Szenes, durante a Segunda Guerra Mundial se refugiou no Brasil, pelo fato de seu esposo ser judeu e teve contato com importantes expoentes modernistas brasileiros, entre eles Carlos Scliar e a pintora Djanira, exercendo grande influência entre estes.

Vieira da Silva – A Biblioteca, 1055

Paula Rego (1935) é o maior nome vivo da Arte Portuguesa. Paula Rego se estabeleceu em Londres desde os anos 50 devido as restrições da Ditadura atroz de António Salazar em Portugal. Paula faz parte uma tradição figurativa que ainda sobrevive a duro custo na Arte Contemporânea, alguns artistas figurativos de renome escolheram também a capital da Inglaterra como reduto, nomes como do alemão Frank Auerbach e o falecido Lucian Freud, todos estes pintores tem um ponto em comum além da expressividade, são conhecidos por trabalharem forte e terem uma grande produção artística. A pintura de Paula Rego retrata um mundo muito particular, cenas enigmáticas, que alternam erotismo e figuras oníricas do universo de sua arte.

Paula Rego – Olhando para trás, 1987

Waldir Bronson

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