Duas pinturas distintas, dois artistas distintos, um só tema: a Guerra. Quase um século divide estes pintores de nacionalidade espanhola, porém a revolta expressa nas pinturas “Guernica” de Pablo Picasso e “8 de maio de 1808  em Madri” de Francisco Goya carregam a mesma intensidade pungentede luta entre o oprimido e o opressor.

Francisco de Goya y Lucientes era  o pintor oficial da corte espanhola quando houve a invasão do exército francês sobre seu país. As forças de Napoleão, um exército profissional praticamente esmagou a resistência espanhola que logo sucumbiu. Goya estava na cidade quando ocorreu a invasão, talvez tenha presenciado tamanha atrocidades contra a população, sua obra 8 de maio de 1808 em Madri foi executada em 1814 quando os franceses deixaram a Espanha. As pinceladas rápidas de Goya transmitem com mesma intensidade o ato heroico do povo espanhol em resistir, ao lado direito os soldados franceses enfileirados com os rostos cobertos representam os opressores com suas baionetas apontadas para a população. No centro só um ponto de iluminação, um lampião que ilumina toda a composição. O Homem de branco do lado esquerda abre o os braços se entregando heroicamente para a morte, ao lado pode se observar um monge franciscano ajoelhado rezando , enquanto alguns de seus companheiros já foram executados, a figura do monge transmite a crueldade do exército em executar uma figura eclesiástica, a composição pode ser divida em duas forças antagônicas do lado esquerdo as vítimas e do lado direito os algozes, a torre ao fundo mostra uma igreja localizando o local do fato ocorrido.  Também sobre a invasão, Goya realizou a série de gravuras em águas-fortes “Desastres de Guerra”

Guernica é considerada a pintura mais importante do séc XX, retrata a destruição da cidade basca por uma esquadra de aviões nazistas e fascista a pedido do generalíssimo Francisco Franco, ditador espanhol em 1937. Numa composição onde não existe um único foco de atenção, mas diversos, as imagens se espalham ao longo da pintura monocromática de 3 metros e meio de comprimento.  A ideia de sofrimento está presente em todas as imagens, desde os animais até as figuras humanas, aqui não existe opressores com na pintura de Goya, apenas o que restou da destruição.  No lado esquerdo se observa a dor de uma mãe ao segurar seu filho sem vida nos braços, o touro é o símbolo do país: Espanha. Ao longo da obra os corpos estão distribuídos aos pedaços, no centro dois pontos de luz, uma lamparina e uma lâmpada que iluminam a composição, o Cavalo emaranhado as formas e as linhas retas surge como um sobrevivente o espinho em sua boca representa a dor, do lado direito um homem agonizando com os braços abertos remete ao personagem da pintura de Goya. A mulher em movimento, e a que segura a lamparina são alguns elementos desta pintura claustrofóbica. Não existe nenhum elemento específico que remeta a cidade espanhola de Guernica, apenas o título. Demoraram muitos anos para que o povo espanhol pudesse ver tal obra, apenas quando a democracia foi estabelecida é que Picasso autorizou a exibição de Guernica em sua terra natal.

 

8 de Maio de 1808 em Madri de Francisco Goya

 

 

 

 

Painel “Guernica” de Pablo Picasso de 1937

 

 

 

Waldir Bronson

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