Cinema Novo: Anos 60 e início dos 70

23 outubro 2018

Nos anos 1960 houve grandes transformações políticas e culturais no Brasil, não só na música e nas artes visuais, mas também no Cinema. O Cinema Novo apareceu como uma reação aos formatos das produções nacionais e como uma forma de emancipação fora dos padrões norte-americanos como aconteceu na França Nouvelle Vague e na Itália Neorrealismo. Muitos filmes deste movimento se destacam pela temática genuinamente brasileira fora dos padrões estrangeiros e dos problemas sociais do país,  sobretudo do Nordeste. Houve uma ruptura como o cinema feito no Brasil, as chamadas “chanchadas”, comédias de humor ingênuo realizadas pelas  grandes produtoras nacionais: Atlântida (Rio de Janeiro) e Vera Cruz (São Paulo) todas seguindo os padrões do cinema hollywoodiano e seus musicais.

Não há dúvida que um dos objetivos dos cineastas cinemanovistas era dar evidência a um Brasil que não está nos Cartões Postais e dar ênfase na política de exploração que vem desde o período de escravidão. Um dos temas abordados também e a exploração religiosa. Um dos temas abordados também e a manipulação das massas.

Os nomes de destaque do Cinema Novo, são: Cacá Diegues, , Paulo Cesar Saraceni, Leon Hirszman, Walter Lima Jr, Luis Sergio Person, Luiz Carlos Barreto, Júlio Bressane, Rogério Sganzerla, Nelson Pereiras dos Santos, Ruy Guerra e Glauber Rocha, este último merece destaque já que foi o pilar destaque movimento e autor da célebre frase: “Uma Câmera na mão e uma ideia na cabeça”. 

Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Joaquim Pedro de Andrade, Walter Lima Jr., Zelito Viana, Luiz Carlos Barreto, Glauber Rocha e Leon Hirzman

Cinco vezes favela” (1962) é considerado por muitos um marco do Cinema Novo, um filme composto de 5 curtas-metragens de realizadores jovens: Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Miguel Borges, Marcos Farias. Todas as histórias narram a vida de pessoas comuns ambientados na favela, esta forte característica nacional fez com que ele tivesse este valor simbólico.

Rio, 40 graus”(1955)  de Nelson Pereira dos Santos, um dos nomes mais proeminentes  nomes do movimento pode ser o autor daquele que muitos apontam como o primeiro filme deste movimento, por usar como cenário as ruas do Rio de Janeiro, atores não profissionais e uma estética diferente dos filmes de estúdio e um conceito de cinema independente das grandes produtoras.

Três filmes  de Destaque do Cinema Novo:

Deus e o Diabo na Terra do Sol”(1965) de Glauber Rocha(1939-81). Manuel é um camponês e se revolta contra a exploração imposta por um  Coronel proprietário de duas terras e acaba matando-o depois que o mesmo tenta roubar seu gado. A partir daí ele passa a fugir de  jagunços juntamente com sua mulher Rosa. Logo os dois se juntam a um beato  e fica evidente ali a alienação religiosa. Simultaneamente Antônio das Mortes começa a perseguir os seguidores do beato a mando da igreja católica e dos poderosos da região.

São Paulo, Sociedade Anônima“(1965) de Luis Sergio Person (1936-76) foi praticamente o único representante paulista do Cinema Novo e trata de um Brasil diferente dos olhares dos outros diretores, trata de um Brasil desenvolvimentista, de um cidadão da cidade grande “São Paulo”.Carlos (Walmos Chagas) vive um vida confortável, com suas experiências amorosas e sua vida profissional na industria automobilista em ascensão, no entanto todo este frenesi de conforto e o matrimônio o levam a um caminho que ele mesmo renega, assim ele se depara com um monstro e tenta voltar tudo e tentar um “recomeço” e como pano de fundo a imensa megalópoles.

Os Fuzis“(1963) de Ruy Guerra(1931) o filme trata do envio de um grupo de soldados armados à cidade de Milagres no sertão da Bahia com o objetivo de proteger  o deposito de alimentos da cidade para que o povo não saqueie o armazém. Assim os soldados representam um força para controlar a ira da população miserável, que são controladas pelos ricos que usam a miséria para se perpetuar no controles.Um religioso conduz as massas delirantes, enquanto um caminhoneiro de passagem se revolta diante de tanta miséria e exploração.

Nelson Pereira dos Santos, considerado o pioneiro do Cinema Novo

Vidas Secas“(1963) de Nelson Pereira dos Santos(1928-2018) narra a saga de uma família pobre de retirantes que fogem do ambiente hostil e miserável do sertão Nordestino em busca de uma vida melhor na cidade grande. O clima árido e desumano em que as pessoas vivem é tão duro quanto a lente de Nelson Pereira dos Santos que captura a exploração do homem nordestino e sua visão ingênua do mundo. O destino da cachorra baleia é algo muito importante na história, pois representa a miséria em outro patamar e o desapego que força todos aqueles que os deixam, como os outros personagens tem um destino incerto. Ironicamente a cadela tem um nome de um ser que vive na água coisa muito escassa naquela região.

Após o Ato Institucional nº5 (AI-5) em 1968 e a política opressora do Regime Militar, fica difícil para estes cineastas manter o movimento, pelo fato que muitos deles focam nas críticas sociais e na desigualdade e temas como estes seriam inconcebíveis no novo governo. O que acontece com o Cinema Novo? Muitos dizem que ele viveu uma segunda fase, ou seja o “Cinema Marginal” ou mais popularmente chamado de “pornochanchada”. Eu acredito que o Cinema Novo viveu seu auge nos anos 60 e acabou no início dos anos 70, já que os filmes undergrounds tinham um orçamento baixíssimo e dependia muito com a criatividade do realizador, caso contrário se tornaria mais um filme de humor barato e com temática sexual para alcançar o público. Porém ficará para outro capítulo a saga do Cinema Nacional para se manter e continuar vivo.

Cena de “Os Fuzis” do cineasta moçambicano Ruy Guerra

 

Waldir Bronson

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