Cinema e seus 120 anos de História

24 fevereiro 2017

Ao  completar  um  século  de  existência  na  década de 90 desde sua criação com os irmãos  Lumière  em  1895,  o  cinema  se  mostra  uma  linguagem  que  sofreu  diversas transformações  e  como  um  ser  vivo  vem  se  adaptando as novas mídias e revoluções tecnológicas, se renovando.

No limiar do séc. XX a soberania da sétima arte manteve-se inigualável como veículo comunicador e formador de modelos na sociedade. Fusão da evolução técnica da fotografia,  conseqüência e filho pródigo do teatro, a ilusão de movimento e o poder de entreter e narrar uma história, fez com que os tradicionais veículos impressos e a relação com a imagem fosse esmagada de certa forma, devido sua qualidade de reproduzir imagens de maneira seqüenciada e simultaneamente sonora, com o decorrer dos anos. O primeiro período do cinema (1908-1913) é fundamental para estruturar seu modelo tradicional de enredo e construção fílmica com temas de cunho moral ou mensagem positiva.

Sobre a história cinematográfica nacional podemos lembrar de seu limiar no início do séc. XX,  onde até a segunda década do mesmo foram produzidos cerca de 400 filmes em território nacional. De acordo com Vicente de Paula o auge de nossa produção foi em 1912 passando pelo período de 1908-1911, Exemplo Regenerador de 1919, dirigido por José Medina e fotografia de Gilberto Rossi foi dos mais importantes e destaque, nas cenas deste marco de nossa produção podemos observar noções de tempo e cortes, continuidade dos gestos, ação intercalada, uso de primeiros planos e a câmera em movimento, porém após o fim da Primeira Guerra Mundial(1914-1918), a produção cinematográfica já era exclusividade dos estadunidenses.

O Cinema dominante nas salas de todo planeta, já que tamanha popularidade nos da á condição de assim o chamar, é o Clássico Narrativo. A ele atribui além dos clássicos recursos de roteiro lógico com começo meio e fim, histórias com fundo moral e geralmente com um final “feliz”. O cinema clássico como conhecemos teve suas origens não só na Europa, mas também nos Estados Unidos, onde Thomas Edison inventor do Cinetoscópio(caixa com Imagens animadas) brigou afim de ter o seu nome sobre a patente  do Cinema, entretanto sua invenção não foi convincente e os irmãos Lumière levaram a melhor inventando o cinematógrafo em 1895, uma verdadeira câmera filmadora. Justamente em 1919 nos EUA, Douglas Fairbanks, Mary Pickford, Charles ChaplinDavid Wark Griffith fundaram a lendária Companhia Cinematográfica United Artist numa cidade no noroeste americano chamada Hollywood. A partir deste marco nunca mais a maneira de ver e produzir cinema foi a mesma, não houve nenhum paralelo no mundo que produzisse filmes como os Estados Unidos em quantidade e em muitas vezes em qualidade também.  A linha “clássica” começou a ser divididas por gêneros como: Romances, Western, Aventuras, Épicos, Ação, Guerra, Policial, Comédia, Horror, Drama e Suspense, todas estas divisões ajudaram a formar a identidade do cinema nestes mais de 80 anos da indústria hollywoodiana.

Fora de Hollywood o cinema caminhava nos quatros cantos da Terra. A influência das vanguardas artísticas sobre o cinema, pode ser observada  no velho continente europeu, onde movimentos artísticos como Surrealismo, FuturismoExpressionismo, tiveram seus representantes também na telona, como: Cão Andaluz, de Luis Buñuel e Salvador Dalirepresentando o Surrealismo em 1929.  Vita Futurista de 1916 pelo italiano Arnaldo Ginna, baseados nos moldes e cânones futurísticos do manifesto artístico de  Fillipo Marinetti e os representantes do cinema Expressionista  “O gabinete do Dr. Caligari” do diretor alemão Robert Wiene de 1920 e sua visão dramática como o respectivo estilo pictórico e o revolucionário “Metropolis” do austríaco Fritz Lang do ano de 1927.

No alvorecer da Revolução de Outubro os soviéticos se destacaram no processo técnico de montagem e profunda pesquisa a serviço da causa trabalhadora. Com inovações jamais exploradas no cinema como: cortes, plano geral e aberto, close-up e recursos que causam tensão e dramaticidade nas cenas, o lendário diretor russo Serguei Esisenstein destaca-se neste período com seu filme “O encouraçado Potemkim” de 1925, narra com extrema sensibilidade a história verídica da rebelião dos marinheiros tripulantes subjugados por seus superiores no navio de guerra russo Potenkim. Vale frisar nomes relevantes deste período daquele país: Pudovkin, Dovjenko, Lev Kuleshov, entre outros. Como precursor do gênero Documentário, Dziga Vertov sobressai sobressai sobretudo nos recursos fundamentais da sétima arte: nos cortes, efeitos especiais, sua maneira de filmar sem uma cadência lógica tradicional, usando recursos inovadores de montagem colocou-o os anais da cinematografia, seu filme de maior relevância é “O homem com uma câmera”(1929)

O aparecimento dos cinemas: Neo-realista italiano e da Nouvelle Vague francesa, trouxe um novo cinema a partir do pós-guerra, o aparecimento de novos cineastas fora do eixo EUA-Hollywood foi prolífico: Akira Kurosawa, Jean-Luc Godard, Glauber Rocha, Werner Herzog, Shohei Imamura, Bernardo Bertolucci, Jonas Mekas, Júlio Bressane, entre outros.

O baixo custo nas produções e também da câmera cinematográfica nas últimas décadas, fez com que diversos países conseguissem um lugar ao sol no mundo  cinematográfico, como: Irã, Índia e a velha conhecida “Bollywood” indiana desde 1913. México, Argentina e Brasil também se destacam no cenário mundial.

Os recursos tecnológicos e a nova maneira de registrar imagens, sobretudo com o advento da tecnologia digital no cinema, no início dos anos 90, trouxe a este veículo uma nova forma de criação e novos profissionais usufruem desta ferramenta como de seus variados recursos.

 

Cena de “Encouraçado Potemkim” de 1925

Charlie Chaplin, além de atuar, dirigia, escrevia e compunha a Trilha Sonora de seus filmes

Filme Expressionista “O Gabinete do Dr.Caligari” de 1920

Waldir Bronson

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