Arte Moderna ou Arte Degenerada?

11 julho 2012

“Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas”
Heinrich Heine

Em 1905 se formava na cidade de Dresden na Alemanha, um grupo de artistas que alto se denominaram como:  “A Ponte” (Die Brücke). Os estudantes de arquitetura, Fritz Bleyl(1980-1966), Erich Heckel (1883-1970), Ernst Ludwig Kirchner (1880-1938) e Karl Schmidt-Rottluff(1884-1976) se uniram no propósito de criar uma nova arte, ao qual ficou conhecida como “Expressionismo Alemão“. No ano seguinte iriam publicar seu primeiro manifesto e definir sua ideologia e a diretriz ao qual seus participantes faziam parte. As características pictóricas e o próprio título ao qual estes foram “batizados” estava no legado dos artistas que os antecederam, como: Vincent Van Gogh, Paul Gauguin e Edvard Munch, além destes foi agregada outras influências, como a Arte Africana e Oceânica. A semelhança entre o grupo francês “Fauves” tanto nas cores intensas, como nas formas simplificadas eram claras, porem a força e uma espécie de pessimismo nas obras alemãs dão um tom mais sombrio a elas, diferenciando-as dos franceses. O trabalho gráfico foi uma vertente importante no grupo, entre as inúmeras técnicas a mais usada foi a xilogravura, talvez por sua maior expressividade como por sua qualidade rústica, de pouco acabamento. O fazer xilogravura trouxe o resgate e a influência da gravura gótica alemã.
Posteriormente o grupo recebeu outros integrantes como Emil Nolde(1867-1956), Max Pechstein(1881-1955) Cuno Amiet(1868-1961) Akseli Gallén-Kallela (1865-1931) Bohumil Kubista(1884-1918) e Otto Müller(1874-1930), a dissolução do grupo ocorreu em 1911, e sua experiência provavelmente serviu de inspiração para outros movimentos que viriam a florescer na Alemanha, tais como “O Cavaleiro Azul“(Der Blaue Reiter) e o “Nova Objetividade“(Neue Sachlichkeit).
Vale ressaltar que este “movimento artístico” se desenvolvel não só no campo das artes visuais, mas também na arquitetura com Erich Mendelsohn(1887-1953) no teatro Bertolt Brecht(1898-1956) no cinema Fritz Lang(1890-1976) suas manifestações aconteceram também na literatura, música e poesia.

No princípio dos anos 20 não havia nenhuma perseguição declarada ou repúdio aos artistas modernos, porem no final da década em 1927, um ideológo nazista chamado Alfred Rosenberg fez uma publicação pejorativa sobre o movimento. O nazismo queria comparar o trabalho de artistas renomados da arte alemã com trabalhos feitos por doentes mentais e algumas pinturas e gravuras eram comparadas com figuras de pessoas disformes. No ano de 1933 na ascensão de Hitler é tomada a primeira atitude contra as artes visuais, na cidade de Weimar é fechada a lendária escola de arte Bauhaus no mesmo ano promove a primeira exposição difamatória da arte moderna em Karlsruhe e Mannheim, no mesmo ano em 21 de Junho é realizada a famosa “Queima de Livros”, a cultura estava profanada pelo partido nazista. Em 1937 em Munique foi aberto a exposição “Arte Degenerada” (Entartete Kunst) com a presença do Ministro da Propagando Nazista Joseph Goebbels e o próprio Adolf Hitler, este seria um dos ápices na perseguição feitas aos modernistas, a exposição apresentava 650 obras das cerca das 5 mil que foram confiscadas, entre os artistas estavam grandes nomes da arte européia como Pablo Picasso, Wassily Kandinsky, Piet Mondrian, Edvard Munch entre outros. Dois anos depois em 1939 são leiloadas obras modernistas em Lucerna na Suiça, e os fundos são revertidos aos nazistas, o restante são insineradas. Em 1941 diversos artistas modernos considerados “degenerados” residentes na Alemanha são proíbidos de praticar qualquer manifestação artística. Este capítulo da arte moderna e dos artistas alemães modernos, muitas vezes não é citado nos livros de História da Arte, porém nunca será esquecido pelas marcas que deixou, embora a perseguição e os traumas materiais e psicológicos são irreparáveis, justiça seja feita, nenhum dos artistas simpatizantes ao nazismo são conhecidos hoje em dia, esse foi o preço que pagaram.
Peter Cohen em seu Documentário Arquitetura da Destruição, acredita que antes de um movimento político o Nazismo foi um movimento Estético, aonde cânones e normas eram impostas em busca dum ideal de beleza desumano. O padrão de beleza e a veneração com a Antiguidade por Adolf Hitler, principalmente da Grécia Antiga fez com que a fixação por um sonho de mundo se torna-se na guerra mais sanguinária de todas as guerras
*Embora Kathe Kollwitz não tenha oficialmente participado do grupo A Ponte, é inevitável não dizer que seu estilo e sua escola é Expressionista, por isso escolhi sua gravura como imagem.

“Os sobreviventes” de Käthe Kollwitz, litografia

Alfred Rosemberg(acima), Hitler e Joseph Goebbels, arquitetaram o expurgo as artes questionadoras

Pequeno e com as pernas tortas, Joseph Goebbels exteriorizava sua baixa estima em discursos inflados e atitudes atrozes.

Waldir Bronson

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