Arte Contemporânea Brasileira: Hélio Oiticica e Lygia Clark

25 setembro 2017

Nos anos 50 após a Segunda Guerra Mundial houve uma mudança no panorama das artes visuais e na História da Arte, um dos aspectos foi a nova capital mundial das artes de Paris centro cultural de efervescência desde o séc.XVIII, agora para Nova York, onde grandes nomes das artes se refugiaram após a devastação da Europa.

A Arte Contemporânea ou pós-modernismo é o termo usado para classificar a produção artística da atualidade e do pós-guerra, o fim das vanguardas e o surgimento de novas modalidades artísticas que rompem com o tradicional é o contexto desta nova forma de arte, onde muitas vezes o conceito é o mais importante na obra em si, maior que o próprio fazer ou a habilidade artística do autor.

Tanto no Brasil como nos EUA a  Arte Moderna demorou a ser absorvida pelos artistas e pelo público, o marco inicial do Modernismo no Brasil foi a “Semana de Arte Moderna de 1922“, porém esta só foi ter reflexo na produção artística nacional nos anos 50.

Na década de 1960 a relação entre arte e público começou a ser questionada e as formas tradicionais de exposição foram entendidas como um  obstáculo entre o espectador passivo diante de uma obra de arte, assim uma nova proposta surgiu convidando o público a interagir e fazer parte da obra de arte.

Diálogo: óculos (1968) de Lygia Clark

Lygia Clark

“Penetráveis” de Hélio Oiticica

Dois artistas em especial marcaram a produção artística brasileira e podemos dizer que foram os precursores da arte contemporânea no Brasil, seus nomes são: Lygia Clark(1920-1988) e Hélio Oiticica(1937-1981). Tanto Oiticica como Clark vieram da arte bidimensional, da pintura abstrata formal; faziam parte do grupo dos Neo-Concretos nos anos 50. Este grupo de artistas buscavam a relação das formas com as cores, no entanto; estes dois artistas foram levando suas obras para os espaços tridimensionais.

Parangolés de Hélio Oiticica

Instalação “Tropicália” de Hélio Oiticica

“Cosmococa” de Hélio Oiticica

Escultura da série “Bicho” de Lygia Clark

“Bicho” de Lygia Clark

A Instalação foi a linguagem ao qual Hélio Oiticica mais se identificou, uma de suas primeiras experiências nesse campo foi a obra “Penetráveis” nos início dos anos 60, ali o espectador integraria a obra caminhando e desviando de chapas coloridas colocadas ao longo do percurso da obra.  Oiticica estava na vanguarda das artes visuais, pois se inteirava sobre as principais correntes, sua obra “Parangolé”(1967) consistia em capas e estandartes onde os integrantes do Morro da Mangueira se vestiam com eles e podiam dançar, isto se assemelhava muito com a proposta de Happening e Performance do grupo europeu Fluxus. No mesmo ano realiza um dos seus grandes trabalhos, a instalação  “Tropicália” onde reforçaria a ideia do público caminhar em sua obra, imitando um percurso em que lembrava a arquitetura das favelas e vegetação remetendo ao nosso clima tropical, esta obra inspirou Caetano Veloso em sua música “Tropicália” que deu nome ao movimento Tropicalista. A obra “Cosmococa”(1973) em parceria com o cineasta Neville d’Almeida consiste na projeção de slides de figuras da cultura pop como: Jimi Hendrix, Janis Joplin, Yoko Ono, Mick Jagger, Rolling Stones, entre outros; em um ambiente criado ao público ter uma experiência sensorial com um fundo de trilha sonora, onde as projeções teriam desenhos criados por cima das fotos com cocaína, ali o autor tenta passar o poder e o transe que a droga transmitia nas pessoas e também o fato de grande parte dos artistas daquela época serem usuários desta substância, inclusive o próprio autor.

“Caminhando” Fita de Moebius de Lygia Clark

Lygia Clark como Oiticica viveu a arte abstrata e depois a busca pela arte sensorial, sua pesquisa particular trás uma preocupação com a obra em seu estado de transformação, como algo orgânico onde não existe um obstáculo entre o espectador e a obra de arte. Sua série de esculturas de metal “Bicho”(1960) fez com o que o público mudasse o conceito diante de suas esculturas, onde as dobradiças nas chapas, permitiam que as pessoas encontrasse diversas possibilidades em uma única obra, como se a mesma tivesse vida. Seguindo sua linha de trabalho, novamente com o uso de metal polido Clark realiza os “Trepantes”, estas chapas em formas espirais se entrelaçam e criam uma forma orgânica, fazendo um contraponto entre o uso do metal com o uso da madeira, a base onde fica a obra, seguindo este mesmo conceito surge “Obra-Mole”(1964).  A fita de Moebius é tema da obra “Caminhando”(1964) o espectador cria a partir de uma faixa de papel, recortando e colando as duas extremidades de maneira torcida, criando um objeto tridimensional sem princípio nem fim, sem frente nem verso, esta proposta faz refletir a questão da obra de arte imutável. Como professora da Universidade de Paris -Sorbonne(1970-75), faz experiências coletivas no campo das Artes Plásticas criando sua instalação “Túnel”(1973) as pessoas adentram em um tubo feito de de pano, ali existe a sensação de não conseguir sair, de claustrofobia e após o caminhar por cerca de 50 metros a pessoa sente o alívio e algo semelhante ao sair do ventre da mãe.

Instalação “Túnel” de Lygia Clark

Dois artistas distintos, mas que deixaram um legado de experimentação no campo das artes visuais, sem dúvida L.Clark e H.Oiticica estão na vanguarda mundial daqueles que desbravaram os labirintos da arte contemporânea, onde o público não é mero coadjuvante diante da obra, mas também o protagonista.

 

 

 

 

 

Waldir Bronson

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