Aqueles que os livros não falaram

3 setembro 2012

A mídia artística e o filtro feito pelos historiadores que ao longo dos anos vai ditando os nomes consagrados da história podem cometer, alias cometem uma grande injustiça com artistas que com seu talento, muitas vezes superior a dos chamados “grandes mestres” são simplesmente esquecidos e negligênciados. Fazendo uma comparação, é a mesma coisa enfatizar a morte de 6 milhões de judeus na Segunda Guerra e esquecer dos 26 milhões de russos que pereceram, e proferir que o desembarque na Normândia foi a virada dos aliados, esquecendo a retomada de Stalingrado pelos russos.

Iniciando pela gravura, devo admitir que eu mesmo posso estar cometendo uma tremenda injustiça, porém estarei trazendo alguns nomes esquecidos pela maioria dos livros sobre arte, exceto os de profunda pesquisa. Conhecido nos EUA por sua técnica impecável e também por ter sido um dos criadores do “graphic novel“, Lynd Ward começou a desenhar quando descobriu que seu sobrenome ao contrário significava a palavra “Draw” (desenho em Inglês). Como gravador Ward teve reconhecimento rasoável em seu país, foi um grande ilustrador de livros e periódicos, alguns de seus temas preferidos foi a luta de classes, provavelmente influênciado por seu pai (líder comunista).
Ao alvorecer do séc. XX a Alemanha foi um dos berços da gravura e da xilogravura moderna e nessas fontes, Lynd Ward foi beber, com o mestre Hans Alexander Mueller na cidade de Leipzig para aprender a técnica. Há pouco material sobre detalhes da vida de Mueller, o que sabemos é que este mudou-se para os EUA em 1930 e em 1939 publicou o livro: “Woodcuts and Wood Engravings: How I Make” (reeditado pela Editora Dover), fez ilustrações para diversas publicações, entre as mais importantes estão os livros: A Ilha do Tesouro e Dom Quixote, embora alguns sites não faça relação, mas tanto Lynd Ward como seu professor Hans Alexander Mueller introduziram o Romance Gráfico (graphic novel) as artes americanas, influenciando sobre tudo as Histórias em Quadrinhos. Não se sabe ao certo qual foi seu precursor, mas o que fica mais evidente é que Ward explorou este tema muito mais que seu mestre.
A seleção feita pelos autores internacionais, não é diferente de nossa realidade nacional. E conforme o grau de instrução é menor, maior será o filtro, que geralmente fica restrito em nomes como Picasso, Van Gogh, Da Vinci entre outros.
Numa realidade mais próxima, devemos afirmar que a memória curta e pouco abrangente de alguns historiadores, é um erro já com precedentes no passado. Enquanto a história da arte a níveis mundiais “esquece” ou omiti algumas figuras, a História Brasileira, fica restrita a Cândido Portinari e Tarsila do Amaral, como duas colunas indestrutíveis das artes plásticas tupiniquins. Não quero desmerecer o talento destes artistas notáveis ao qual mencionei, o intuíto deste texto é, vamos dizer assim, “democratizar” o espaço a qual os artistas tem nos meios de publicação e comunicação.

Seguindo a escola expressionista a qual os dois primeiros nomes ao qual citei se assemelham em alguns aspectos, citarei outro também, seu nome Johann Gütlich, holandês radicado no Brasil na década de 50, trouxe a força e as cores vivas de sua experiência holandesa, em Roterdã estudou com Henk Chabot, nome proeminente das artes holandesas do início do séc.XX, este marcaria forte influência em sua obra. Participou de exposições importantes no MAM/SP e na Bienal de Artes de São Paulo.
Como um adendo acrescentei também o filho de Johann, George Gütlich, gravador e professor ao qual sua técnica resgata suas origens e a arquitetura em ruína, referência direta ao gravador italiano Giovanni Battista Piranesi, mas isso já é outra história.

Bem, como não posso citar todos artistas de uma única vez, aguardem e em breve terão novos nomes.

Ensaio repostado do original de 16/11/2010

Um desabafo

Obrigado

Sites relacionados (em inglês):
http://www.askart.com/askart/m/hans_alexander_mueller/hans_alexander_mueller.aspx
http://woodblock.com/encyclopedia/entries/011_10/chap_1.html

Lynd Ward, Xilogravura de Topo

Hans Alexander Mueller, Auto-retrato, Xilogravura

“O Cangaceiro” de Johann Gütlich, 1959

“Babel” Água-forte e ponta seca de George Gütlich, 2006

Waldir Bronson

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