Animação a Carvão de William Kentridge

5 abril 2013

O sul-africano William Kentridge (1955), sem tendenciosismo nenhum, é um dos maiores artistas da atualidade, dono de uma arte que caminha por diversas linguagens, culminando na animação. Filho do advogado Sidney Kentridge, famoso por defender causas contra atrocidades do Apartheid, William Kentridge traz na sua arte a história de maneira simbólica, das diferenças e segregações do seu país.
Considerado como o maior artista visual Sul-Africano de todos os tempos, Kentridge, iniciou sua carreira no teatro curiosamente, estudando em Paris. Nos anos 80 trabalhou em filmes televisivos como Diretor de Arte, um pouco antes em 1979 realizou uma série de Monotipias intitulada de “Domestic Scenes” (Cenas Domésticas).

Apesar de Kentridge trabalhar com desenho, pintura, colagem, gravuras, esculturas, instalações, teatro, ópera e até tapeçaria, é mais conhecido por suas animações que realiza desde 1989. São curtas-metragens feitos geralmente a carvão, isso mesmo, carvão sobre papel, filmados e depois refeitos, quase sempre no mesmo papel, num processo até rudimentar de apagar e redesenhar a sequencia, filmando quadro a quadro. Seus temas são bastante críticos, alternando entre metafóricos e explícitos. Cidades em movimento, objetos, máquina de escrever, mulheres nuas, indignação, pessoas sozinhas ora serenas, ora melancólicas, resumindo: os personagens de seus filmes fazem parte do universo do autor, de sua cultura.
Seu curta de estréia é um de seus trabalhos mais proeminentes, Johannesburg, 2nd Greatest City After Paris (Joanesburgo, a segunda maior cidade depois de Paris) de 1989. Vemos uma cidade em constante mutação, a imagem de um homem gordo de terno, é bastante recorrente em sua iconografia, simbolizando o poder ou o estado. Pessoas caminhando aparentemente sem um destino, isto é William Kentridge e suas Metáforas, que de Metáforas não tem nada.

William Kentridge “O Expressionista”
Não tão mórbido quanto Käthe Kollwitz e nem tão irônico quanto Francisco Goya, William é um expressionista, não só pelo seu traço, mas por seu olhar. O olhar expressionista é dramático, é crítico, inconformado com sua realidade, segundo o artista visual Paulo Bruscky em “As Aventuras de Paulo Bruscky” a arte é uma fonte fidedigna dos acontecimentos, muitas vezes mais veraz que a própria história, dos fatos acontecidos. Assim William, como um bom observador de seu tempo, não perde seu olhar sagaz e sua visão subjetiva do mundo e de seu país a África do Sul.

“DE COMO NÃO FUI MINISTRO D’ESTADO”
É a maior exposição coletiva dos trabalhos do artista na América-Latina, intitulada de “Fortuna”, atualmente no Brasil esta mostra exibe desenhos, gravuras, esculturas e animações do artista. E especialmente para a exposição brasileira William Kentridge realizou-se sobre o clássico “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis, um Flip-Book animado exibido abaixo, como vocês o genial William Kentridge….

Atualmente a mostra “FORTUNA”, acontece na Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre de 07 de Março a 26 de Maio. A partir de 26 de Agosto a Pinacoteca do Estado de São Paulo recebe a exposição até 17 de Novembro deste ano(2013).

Fundação Iberê Camargo
Av. Padre Cacique, 2000 . CEP 90810-240 . Porto Alegre . RS . Brasil
Fone: +55 51 32478000

Johannesburg, 2nd Greatest City After Paris (Joanesburgo, a segunda grande cidade depois de Paris).
Há uma visão patriótica neste título e até exaltando sua terra, mesmo assim os problemas sociais não são esquecidos.

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A mágica da Poesia e da Animação

Um dos últimos trabalhos de William Kentridge “Return” Esculturas Animadas

Waldir Bronson

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