A origem da Caricatura

15 junho 2017

A essência da caricatura está muito além da deformação e do desenho de humor que estiliza um rosto afim de deixa-lo cômico. A palavra Caricatura vem do italiano “caricare” que significa exagerar, porém o propósito de exagerar carrega a ideia de mostrar os defeitos, acentuando alguma parte física ao contrário de um ideal clássico de beleza acadêmico.

Desenhos grotescos de Michelangelo (1524-25)

Os desenhos dos mestres da Alta Renascença Leonardo Da Vinci(1452-1519) e Michelangelo Buanorotti(1475-1564) são exemplos perfeitos para explicar o ponto de partida do desenho caricato. Michelangelo realiza estudos que exaltam algumas formas do rosto causando um efeito monstruoso nas faces, porém Leonardo vai mais além e observando tipos comuns de sua época, faz desenhos que poderiam ser facilmente confundidos com personagens de cartuns ou dos quadrinhos atuais. Lógico que não existia o sentindo de caricatura nesta época, porém o desejo de ir além da realidade e mostrar a personalidade das pessoas através do desenho já era um anseio dos artistas desta época.

Caricaturas de Leonardo Da Vinci(1487-90)

Detalhe do desenho de Leonardo Da Vinci

“A Família Tacconi” de Ludovico Caracci, 1590

Na cidade de Bolonha na Itália no séc.XVI surgiu uma escola de pintura fabulosa conhecida como “Escola de Bolonha” esta associada a família “Caracci”, os irmãos  Aníbal e Ludovico Caracci e o primo Agostinho Caracci”. Este três fundaram uma Academia de Belas-Artes em 1585, neste estúdio passaram muitos artistas e o estilos dos Caracci influenciou gerações de artistas até o séc XVIII.  Ludovico Caracci em seu pintura “A família Tacconi” realiza um estilo inovador e incomum de caricaturar um retrato, ou seja, ao invés privilegiar o retratado através da pintura, trazendo a pintura mais para um ideal de como deveria ser do que como realmente é.  A pintura de Caracci segue este caminho segundo o escritor Enrico Casteldelnuovo:  o retrato caricato pretende, ao contrário, privilegiar o privado, o peculiar, o irrepetível, acentuando “aquilo que é” para assinalar, ridicularizando-a, a vaidade da pretensão “aquilo que deveria ser”.  

“Gargântua” de Honoré Daumier ,1831

Detalhe de “Gargântua”

Caricatura do Sr,Jacot Lefaive de Honoré Daumier

No séc.XIX a caricatura tomou status de um estilo de desenho, graças a um artista chamado Honoré Daumier(1808-1879) este foi um dos maiores expoentes do naturalismo, sua visão era extremamente fiel aquilo que se via muitas vezes de forma sarcástica. Foi um crítico voraz de seu tempo e por isso é um dos pioneiros da Charge e da Caricatura, por realizar críticas duras através de sua arte, a política e ao sistema social da França do início do séc. XIX. Sua obra “Gargântua de 1831” mostra o Rei Luís Felipe I se alimentando das riquezas da população, uma forma de protesto contra o alto nível dos impostos,  esta visão satírica e política do governo estabeleceu a linguagem do desenho de humor sobretudo da Charge e rendeu a Daumier 6 meses na prisão. Suas litografias ao todo 4000, seguiram sempre esta linha crítica, mostrando as mazelas e a corrupção de sua sociedade. Em sua caricatura “Les Poires” transforma o rosto do monarca numa Pera, distorcendo o rosto de forma grotesca e ridicularizando o mesmo, sintetizando de tal forma até se tornar uma pera.

Caricatura do Rei Luís Felipe I de Honoré Daumier

Esta forma caricata desforme de desenhar cunhada por Honoré Daumier estabeleceria a base e o estilo da linguagem da caricatura, assim os artistas retratariam os políticos e as autoridades modificando seus rostos. Esta forma de desenhar influenciaria principalmente não só os cartunistas, mas também as artes plásticas e os artistas modernos do séc.XX como os expressionistas por exemplo, trazendo uma forma exagerada e expressiva no desenho. Os expressionistas alemães principalmente  da Die Brücke(A Ponte) como Schmidt-Rottluff (1884- 1976) e Erich Heckel(1880-1916) abusaram da deformidade em suas xilogravuras, pois também beberam da fonte da arte primitiva africana aonde existe uma ênfase maior nos olhos, nariz e boca, sobretudo na cabeça. George Grosz(1893-1959) foi um cronista visual com uma visão ácida e crítica do sociedade alemã do início do séc. XX, utilizou muito da caricatura em suas pinturas.

Xilogravura de Erich Heckel

No Brasil o italiano Angelo Agostini(1843-1910) teve grande importância para o desenvolvimento da Charge, Caricatura e também nas Artes Gráficas do Brasil Monarquia, além de tudo realizou também Histórias em Quadrinhos.

Obs: Na imagem destacada Honoré Daumier executou 35 caricaturas diferentes cada uma em uma situação e expressão facial distinta.

 

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Waldir Bronson

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