A História da Animação com filmes do You Tube (Parte 3 de 4)

3 julho 2013

A terceira parte da série de textos dedicados a história da Animação, neste vamos conhecer alguns dos precursores da animação do Brasil e o primeiro longa-metragem brasileiro da história. Como já citado o argentino Quirino Cristiani foi duas vezes vanguardista realizando o primeiro longa-metragem  da história em animação (1917) e depois fazendo o primeiro longa sonorizado do mundo, no entanto infelizmente estes filmes não existem mais. Ilustrando a América do Sul no contexto mundial da história dos Desenhos Animados, Anélio Latini Filho junto de seu irmão Mário Latini, filhos do pintor Anélio Latini, foram os precursores da animação no Brasil. Com muito esforço e dedicação durante cinco anos, Anélio Latini Filho realizou cerca de 500 mil esboços, embora o número real deva ser muito maior. Sinfonia Amazônica foi a primeira animação longa-metragem brasileira da história, o esforço imensurável de Anélio Latini Filho trabalhando praticamente sozinho, apenas com o auxílio de seu irmão, levou seu sonho de criar este filme as últimas consequências, pois anos depois faleceu de câncer no pulmão, devido ao esforço desmedido de Sinfonia Amazônia, entre 1947-1953, como vimos no caso de Quirino Cristiani, um animador de vanguarda na América do Sul, não teve seu devido respeito e seu trabalho hoje é inexistente, no caso de caso de Sinfonia Amazônica, baseada no clássico Fantasia de Walt Disney (1940) teve vida curta, mas está passando por um processo de restauração já que o sonho de fazer animação dos “irmãos Latini” não passou deste único filme. Os esparsos recursos e dificuldade imensa de fazer arte no Brasil (realidade ainda atual) fizeram com que este fosse em preto e branco. A pesquisa particular dele sobre as lendas brasileiras refletiram nesta produção que é nada mais, nada menos como uma realização grandiosa no ponto de visto criativo, já que na “época” os profissionais de animação eram raros e os poucos que existiam guardavam os segredos de fazer animação, Anélio Latini Filho teve que inventar ele mesmo certos recursos, como por exemplo a difícil técnica de sonorização. Um dos alunos de Anélio, o animador Horácio Young Jr., frisa a importância da animação no mundo artístico, principalmente para os jovens, já que os desenhos animados são visto como uma arte menor ou apenas de diversão e nada mais.

Filme sobre a restauração do filme “Sinfonia Amazônica” de (1953)

Computação Gráfica a mais de 70 anos, pode?

Embora muitos dizem nascermos numa era digital, os efeitos e recursos usados em filmes e desenhos animados construídos por um Computador já é uma realidade bem mais antiga que pensamos. Desde 1943 os irmãos John & James Whitney já criavam efeitos visuais de diversas formas e estilos em vídeos experimentais, considerados os pais da animação computadorizada ou da animação gráfica, verdadeiros precursores. Os vídeos exibidos abaixo, o primeiro mais rudimentar de 1943 e outro intitulado Yantra de 1957 são exemplos reais da alta tecnologia existente já nesta época, tanto visual como sonora, já a trilha destes vídeos-animações são advindas também de Computadores, muito parecidas com os de filmes de ficção científica (Science Fiction) ou dos jogos de vídeo games de décadas mais tarde. Talvez John e James Whitney esteja-ão não só na história da Animação e do Cinema, mas também na história das Artes Visuais, na História da Arte, como criadores da Vídeoarte, já que a história da arte cita apenas Nam June Paik e Bill Viola como os inventores deste gênero na déc. de 60, erroneamente.


A Grandiosa Animação Japonesa
Donos de grandes produções e imenso talento e detalhes, os japoneses com seu estilo inconfundível conhecidos como Mangá ou Anime, lançam seu primeiro Longa-Metragem Colorido em 1958 “Hakujaden“, em inglês: The Legend of the White Serpent e em português: A lenda da Serpente Branca pela lendária produtora Toei Doga, criada em 1950. Seu presidente Toei Hirosh Okawa, viajou pelo mundo e buscou as qualidades semelhantes ou melhores que os americanos da Disney, este era o objetivo do Sr. Toei e hoje a Toei Company ou Toei Animation é a maior produtora de desenhos animados do mundo. Graças a ambição e a visão do Sr. Toei Hiroshi Okawa a indústria japonesa de animação alcançou proporções imensas. Obs: Entre as inúmeras produções da Toei Animation, está a famosa série Caverna do Dragão(Dungeons and Dragons) da déc. de 80 e do popular Dragon Ball Z.

Algumas curiosidades do mundo das animações envolve os Estúdios Disney, em 1959 é lançado o filme A Bela Adormecida e é um verdadeiro fracasso comercial, talvez devido a construção da Disneylândia, fazendo com que os estúdios fiquem trinta anos sem lançar nenhum conto de fadas.

A Animação na China
Wan Laiming ou Wan Lai-ming, um dos precursores da animação na China lança a famosa e muito bela visualmente, Havoc in Heaven, novamente uma história sobre o Rei Macaco, mas desta vez em cores divida em duas partes em 1961 e a segunda em 1964. Wan Laiming é de uma família de animadores, juntamente com seus três irmãos são conhecidos mundialmente como Irmãos Wan (Wan Brothers).

O Mestre do Leste Europeu
Jiri Trnka, este checo foi o mestre da animação de Marionetes ou Massinha do leste europeu. Conhecido como o “Walt Disney do leste“, realizou inúmeras animações e venceu o Festival de Cannes de 1946. Em plena repressão soviética, Jiri Trnka fez o curta-metragem A Mão (Ruka) de 1965, totalmente metafórico e ousado que mostra um Oleiro sendo dominado por uma enigmática mão, simbolizando claramente a força do estado soviético e sua repressão, esta foi o último trabalho deste fabuloso artista do leste europeu, deixando uma escola de animadores em seu país(República Checa), no leste da Europa e em todo mundo. No ano seguinte (1966) morre Walt Disney de câncer no pulmão.

Anélio Latini Filho um dos precursores da animação no Brasil

Piconzé de Yppe Nakashima primeiro longa-metragem colorido do Brasil

Ypê Nakashima, foi outro precursor da animação no Brasil, embora os irmãos Latini não tenham conseguido recurso e apoio financeiro o bastante para rodar seu filme em cores, o japonês Yppe Nakashima ou Ypê Nakashima assim conseguiu. Assim como outras comunidades de imigrantes, os japoneses trouxeram grande conhecimento sobre tudo de sua cultura milenar ao Brasil, agregando valores e práticas inexistentes ainda no nosso país. Formado pela Escola de Belas-Artes de Kyoto, cartunista e ilustrador profissional em sua terra natal, Nakashima lutou também na Segunda Grande Guerra em Nagazaki, mesmo assim já casado viajou para o Brasil, para recomeçar tudo do zero. O interesse pela rica cultura e lendas de nosso país, fez com que Ypê Nakashima criasse o primeiro Longa-Metragem Colorido da história de nosso país, usando uma técnica inovadora de recortes de revistas e embalagens (Colagem) para criar os cenários, Ypê conseguiu dar ao espectador um efeito de 3D bastante original e artístico para sua época. Mesmo com dificuldades e limitações foi lançado em 1972 “PICONZÉ” e quarenta anos depois, um documentário foi produzido sobre o filme e a vida de seu autor. Dirigido por Hélio Ishii, e foi exibido no ANIMA MUNDI de 2009.

American Pop: É possível fazer animação de qualidade sem padrões Disney

American Pop foi um Longa-Metragem lançado originalmente em 1981, feito inteiramente em Rotoscopia, técnica criada por Max Fleischer (Ver Parte 2) onde o desenho animado é feito em cima de um filme real, para que as cenas e os movimentos fiquem mais reais. Lançado em 1981, não foi bem recebido pelos críticos (para variar), sendo considerado um fracasso no princípio, anos depois de seu lançamento; tornou-se um dos filmes em animação mais cultuados da década de 80, quando começou a circular em fitas VHS. Mesmo assim esta fabulosa obra prima ainda é um filme pouco conhecido e difícil de encontrar. (Assisti uma vez em VHS na antiga TOP VÍDEO em Avaré-SP)
Ralph Bakshi é o autor deste grande clássico da animação, detalhe: fora dos padrões DISNEY, com trilha sonora de monstros da música mundial como: Benny Goodman, The Doors, Jefferson Airplane, Jimi Hendrix, Lou Reed, Lynyrd Skynyrd, Janis Joplin, entre outros. Esta obra musical parte da déc de 20. Um garoto judeu e sua mãe fogem durante o Antigo Império Russo(1890) para os Estados Unidos, onde começam uma nova vida. Iniciando nos Cabarés, seguindo a história da música popular Norte-Americana indo do Jazz ao início do Rock até o movimento hippie, resume a história do Rock e da Música Pop com quatro gerações de músicos em busca do sucesso; mostrando o contexto social, histórico e cultural de forma realística e crítica do verdadeiro “sonho americano” (American way Life) até o fim dos anos 70. Para quem assistiu sabe do que estou dizendo, para quem não assistiu, está perdendo uma grande obra.

A animação de Gerald Scarfe “What shall we do now?” é vista no longa-metragem de Alan Parker’s The Wall da banda de Rock Inglesa Pink Floyd no ano de 1982. Na Disney o iniciante Tim Burton lança o curta Vincent, uma homenagem ao mestre do terror Vincent Price. Saído da Disney em 1979, o antigo chefe geral dos Estúdios, Don Bluth autor de Bernardo e Bianca desafia o antigo patrão e lança o Longa Infantil The Secret of NIMH (A Ratinha Valente), da produtora de Bluth saíram outros sucessos como Fievel: Um Conto Americano (1986), Em Busca do Vale Encantado (1988), Todos os Cães Merecem o Céu(1989) e Anastasia(1997).

John Lasseter o grande nome da Pixar, lança o primeiro filme da produtora, o curta-metragem em CGI Computação Gráfica Luxor Jr ainda nos idos de 1986. A famosa luminária, que anos depois iria fazer parte da abertura da produtora é a protagonista deste curta. No mesmo ano seguem tais acontecimentos: Os animadores brasileiros Cao Hamburger e Eliana Fonseca fazem o curta-metragem de massinha em Stop Motion “Frankenstein Punk”. O animador Nipo-Americano Jimmy Murakami satiriza a Guerra Fria sobre tudo a Guerra Nuclear entre EUA, Inglaterra e a URSS com seu filme de aparência “inocente” produzido no Reino Unido “When the Wind Blows”, em português “Quando os ventos sopram”, título sugestivo para mentes mais politizadas.

AKIRA: A Revolução da Animação em 2D
Em 1988 é lançado o primeiro filme de grandioso sucesso mundial da frutífera industria japonesa de animação, o desconhecido desenhista de quadrinhos e dono de alguns curtas-metragens Katsuhiro Otomo, criou um dos mais ambiciosos e conscientes projetos para animação. AKIRA, foi lançado em 1988 e repercutiu em todo o mundo como nenhuma outra produção cinematográfica japonesa de animação e sem dúvida abriu as portas para outras produções de sucesso nipônica, como a premiada A Viagem de Chihiro de 2001. Não por coincidência muitas obras em Quadrinhos e na Animação sobre tudo na Europa e no Japão refletiram demais a destruição da Segunda Guerra Mundial, por ter vivido os horrores em seu território, diferente dos EUA. AKIRA é um projeto militar pós-nuclear, a cidade de Neo-Tóquio vive um momento de caos em 2019 e numa manobra política desastrosa a cidade fica na mão de jovens rebeldes integrantes de gangues motorizadas.

Encerro este último Ensaio sobre animação, sabendo que ainda há muito para escrever sobre esta Arte ainda pouco valorizada pelo público e pela crítica. Já que da década de 90 até os dias atuais, vemos o predomínio da animação em 3D ou Computadorizada, prefiro escrever outro texto específico sobre estas animações mais atuais futuramente.

Waldir Bronson

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