A Cineasta do III Reich

30 novembro 2017

Leni Riefenstahl(1902-2003) é uma daquelas figuras dúbias, que nos deixam indecisos entre sua capacidade artística e suas escolhas ideológicas.  Leni Riefenstahl nasceu em Berlim em 1902, iniciou sua vida artística como dançarina e atriz, até que em 1932 teve a oportunidade de estrear sua própria produção “A Luz Azul“(Das blaue Licht) um filme que mostra a monumentalidade da natureza, chamado de um “filme de montanha”, basicamente conta a história de uma garota interpretado pela própria diretora que encontra uma pedra preciosa e ao mesmo tempo é renegada pela população local que a trata com indiferença, um forasteiro não entende tal comportamento e inicia a aproximação a tal garota inocente. Este filme chamou a atenção do então chanceler da Alemanha Adolf Hitler que a convidou para ser a cineasta do Reich, ali nascia uma parceria que iria terminar somente com a queda do nazismo em 1945. A primeira produção seria um documentário sobre o congresso do partido nazista na cidade de Nuremberg em 1933 intitulado de “Der Sieg des Glaubens“, embora seja a estréia da diretora como documentarista do Partido Nacional Socialista(NAZI), tudo foi feito para que este filme fosse esquecido já que muitas das figuras que aparecem neste documentário seriam assassinadas na chamada “Noite dos  longos punhais” inclusive o líder da tropa de assalto particular de Adolf Hitler: Ernst Röhm. Vale ressaltar que embora os filmes Riefenstahl sejam filmes propagandísticos e de exaltação ao partido nazista e a raça ariana, se diferem dos outros filmes encomendados pelo ministro da propaganda Joseph Goebbels, tanto em qualidade técnica como na plasticidade das imagens, tratando de temas bastante controversos com um tratamento apurado e cuidadoso das cenas.

Para a nova produção seria necessário mais monumentalidade, característica da propaganda nazista e do Cinema de Riefenstahl, esta produção confirmaria o talento desta cineasta utilizando de ângulos dramáticos de câmera pra causar impacto, filmando de baixo pra cima pra causar grandiosidade aos líderes alemães e ao jogo de luz de sombra. A maneira como captura a imagem de Adolf Hitler ao mesmo tempo que registra um homem eloquente e de fala retumbante, cria-se a o ideal de herói, semelhante ao herói mitológico de Siegfried eternizado na Ópera de Richard Wagner.  Seu filme subsequente e segundo em parceria com o partido foi “O Triunfo da Vontade“(Triumph des Willens, 1934) considerado um clássico para muitos, pois se tornou o maior filme de propaganda política da história.  Entre os inúmeros documentários feitos neste período se destaca o filme de propaganda dos Jogos Olímpicos de 1938 “Olímpia” (Olympia), não tem como não se apaixonar pelas cenas e pelo tratamento plástico dado aos movimentos dos corpos, tantos os movimentos de câmera como o uso de câmeras lentas exaltam cada instante dos atletas, inclusive explorando o recurso de câmeras subaquáticas, nunca usadas em uma produção cinematográfica até então. As nuances dos movimentos  combinados com a fotografia e o abuso de inovações técnicas de câmeras, faz de Olímpia um obra-prima no sentido cinematográfico.

Com o início da 2ª Guerra Mundial em 1939 Leni Riefenstahl continuou como repórter registrando os feitos do exército nazista, como na invasão da Polônia. Tais horrores cometidos por seus compatriotas a população civil fez com que a mesma sentisse o pavor a carnificina na qual a mesma estava inserida, explicitamente registrada em seu semblante nesta foto(à direita).

Criticada por muitos por sempre expressar apoio e fidelidade ao partido nazista, principalmente a Adolf Hitler. Leni Riefenstahl foi duramente boicotada durante os anos seguidos a guerra, tendo dificuldade de angariar financiamentos e subsídios para seus trabalhos, sendo inclusive presa após o fim do regime, a mesma alega que desconhecia as atrocidades e o caráter genocida do regime da qual ajudou a propagar. Seus últimos trabalhos se resumiram a fotografia, uma grande paixão sua, tendo registrado nos anos 70 belas fotos de populações africanas numa tribo no qual viveu no atual Sudão e no final da vida se dedicou a fotografia subaquática. Seu Cinema Apoteótico e seu legado como documentarista de Propaganda são inegáveis, inovou nas técnicas de câmera e de fotografia cinematográfica na Alemanha pré-guerra, mas sentiu o peso de ser esquecida após a queda do Regime que a colocou no apogeu e depois a pôs no esquecimento.

Leni Riefenstahl, uma das maiores Documentaristas da história

Ao lado de Adolf Hitler, conhecida como “A cineasta de Hitler”

Com o ministro da Propaganda Joseph Goebbels em Novembro de 1937

Com sua equipe em Nuremberg

Em 1939 na Polônia, horrorizada com as atrocidades contra população civil.

Na década de 70 na África

Waldir Bronson

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