A arte verdadeira de Rubens Matuck

13 julho 2012

Rubens Matuck (1952), artista plástico, gravador, escultor, pesquisador e ilustrador, autor de diversos livros infantos juvenis, apresenta-se como um dos artistas mais conscientes da atualidade.

Bolo Armênio e Folha de Prata sobre Canela de 2009 A madeira é matéria prima da arte errante

Seu estilo inconfundível e seu traço firme, vem influenciando diversas gerações de artistas que seguem seus ensinamentos e sua maneira verdadeira de fazer arte. Passeando por diversas técnicas com maestria, Matuck trás a materialidade e o respeito pelo suporte como poucos. Seus temas vão de figuras humanas a aquarelas magistrais. Seus retratos resgatam os legados da arte italiana do cinquecento, suas paisagens exaltam a exuberância e grandiosidade singela da natureza de maneira ímpar.

“A cidade sob as pinceladas de Matuck” S/t, Óleo s/ tela de 2000

A formação dum artista como de qualquer profissional sem sombra de dúvida é a coluna forte de seu sucesso, sem uma boa formação o caminho de qualquer um será inevitavelmente restrito aqueles de igual limitação. No quesito professores, Rubens teve uma formação diversa que vêm desde Renina Katz na gravura, passando por Aldemir Martins no desenho e na pintura, junto também de Samson Flexor e Van Acker na Escultura. As vigas de sua Arte são do mesmo peso de seus mestres, que da solidez dos tempos dos ateliês de Aldemir Martins e Samson Flexor fez se o Rubens Matuck de hoje, com raízes vindas do oriente, nos desenhos de linhas sinuosas, que de tão livres se tornam infinitas e evocam o espírito milenar do seu deserto.

Naureza em forma de Aquarela de 1999

O desenho em sua obra está sempre presente seja nos esboços, seja em seus cadernos de viagens, o que seu globo ocular puder registrar, sua mão empunha o lápis ou o pincel com aguada e em massas e manchas e traços as figuras magicamente vão nascendo de sua mente imaginativa. Como citado no parágrafo anterior a base do estudo vai ditar a diretriz do artista, não precisaria ser um bom observador para perceber a qualidade de exímio desenhista, tal qualidade refletiu-se no âmbito profissional trabalhando como ilustrador dos jornais e revistas: Última Hora, Jornal da Tarde, Folha da Tarde, O Estado de São Paulo, Playboy, Visão, Exame, Cláudia e IstoÉ. Como podemos ver na gravura a seguir:

Saturno, Maneira-Negra de imagens e significados diversos

A série de trabalhos “Mengele” é conhecida por poucos e refletem a relação ambígua entre a vida e a morte, mais expressionista que outros trabalhos, talvez o mais forte de sua carreira. O médico nazista Josef Mengele, conhecido como “anjo da morte” viveu no Brasil e sua exumação pelo então desconhecido Delegado Romeu Tuma aconteceu em 1982, mesmo ano da criação da série e do nascimento de sua primeira filha Alice. Diferente da criação convencional, Matuck preocupou-se e preocupa-se sempre com o processo, pois são estas suas palavras “O processo é mais importante que o resultado propriamente dito”, negando todo o conceito de criação artística, Matuck constrói as pessoas, numa busca quase que literal, onde a imagem vem surgindo em camadas nesta série, partindo dos ossos, até camadas de músculo, pele e face, quase que num resgate dos desenhos anatômicos de Leonardo da Vinci. Abaixo um retrato da Série Mengele.

Mengele – Acrílica sobre tela, 1982

A História em Quadrinhos “As Aventuras de Sir Charles Mogadon & do Conde Euphrates de Açafrão” é a síntese de todo o trabalho de Rubens Matuck, esta HQ demorou aproximadamente 30 anos para ser construída, contando com a participação de seus irmãos artistas Artur Matuck e Carlos Matuck. Publicada pela primeira vez em 1975, Matuck levou este projeto a sério e nos anos 80 foi alertado por seu professor Van Acker, que era nesta história em quadrinhos tão pessoal estava a melhor e mais importante parte de seu trabalho. Partindo das linguagens dos quadrinhos, Matuck agrega uma de suas principais características, o uso da “palavra” juntamente de imagens torna-se um poderoso comunicador. Já a história das palavras e das letras fazem parte duma pesquisa particular de Rubens Matuck, desde os idos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP) em 1977. Após longos anos de trabalho e criação, finalmente seu álbum foi lançado em 2010 e ganhou o 23º Troféu HQ Mix .

Detalhe de seu álbum em Quadrinhos

Este ensaio conclui que o verdadeiro artista como vimos, não está somente na forma estética, mas também em seu interior, pois não há como esconder seu ser quando se é artista. Não há profissão mais verdadeiramente verdadeira, já que uma obra é o exemplo mais puro de quem a fez. Matuck, está nos desenhos de suas viagens, no negro aveludado de suas maneiras-negras, nas madeiras encontradas de suas pinturas e no devaneio de suas esculturas, Rubens é um aficionado pela magia da natureza e de seus mistérios, Matuck é vestígio, é farrapo (tradução de Matuck do árabe), como Torres-García cidadão do mundo, Matuck é cidadão de seu mundo um mundo mais humano e verde do que vivemos nestes dias.

Waldir Bronson

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