Poética da Morte

20 fevereiro 2017

Gostaria de entender por que temas as vezes tão agressivos ligados a morte, podem atrair espectadores e muitas vezes serem envolvidos por uma roupagem até poética.  Me parece da natureza humana o interesse por histórias de batalhas e conflitos humanos, esse tema é inerente a história dos povos e a história do próprio mundo, desde os confins da terra não há aglomeração ou mesmo um ser que não tenha vivido tal coisa.

Assistindo um velho filme, “Era uma vez no oeste” de Sergio Leone, tentei compreender a atmosfera um tanto lenta a qual o filme se envolve e o estranho intento do personagem Harmonica interpretado pelo ator Charles Bronson, sujeito de pouca expressão facial, encaixou-se bem no personagem frio e guarnecido  de um só propósito: A vingança. Numa das últimas cenas, ao qual o mesmo se depara com seu maior inimigo Frank (Henry Fonda), numa trilha sonora magistral composta por Ennio Morricone, o desfecho é revelado e Harmonica se depara com seu próprio passado que agora se faz presente.

Baseado nesse filme, me questiono: por que temas tão crueis  e as vezes de caráter “Vingativo” pode ter tanta identificação com o público? Penso que as desventuras e o próprio cotidiano das pessoas, fazem com que elas entendam o motivo emocional para tal ação do personagem e identificando com o personagem.

Umas das grandes obras-primas da História da Arte “Três de maio de 1808” de Francisco Goya trás a derrota, a crueldade, a morte e o heroísmo numa cena heroica e verossímil. Goya fez os soldados de Napoleão como “máquinas de matar”, sem rostos, enfileirados e em posição de ataque, enquanto a população civil é massacrada, destaque para a figura do espanhol com os braços abertos se entregando ao opressor e ao frade franciscano em posição de oração em seus últimos momentos de vida.

Na obra de Pablo Picasso “Massacre da Coréria” de 1951,  podemos fazer uma analogia na posição dos soldados como na obra de Goya, também estão enfileirados do lado direito havendo uma divisão entre as vítimas e os algozes, o uso da pintura monocromática reforça o caráter dramático desta obra, como em sua obra-prime “Guernica” de 1937.

Contextualização da obra “13 de maio de 1808”

Na famosa “Guerra Peninsular” ao qual a França liderada pelo antigo General Napoleão Bonaparte agora imperadodor, alia-se a Espanha com o objetivo de fazer jus ao seu Bloqueio Continental contra a Grã-Bretanha e cumprir o fictício Tratado de Fontainebleau, que dividiria Portugal em três unidades políticas. Após a invasão em terras portuguesas pelos fraceses, o Marechal Joaquim Murat nvade algumas cidades espanholas ao norte e por fim: Madri, depondo o Imperador Carlos IV. Descumprindo o tratado de Fontainebleau, retira o então rei recém posto Fernando VII e coloca seu irmão no poder José Bonaparte. O levante do povo espanhol diante da situação culminaria no encarniçado fuzilamento de 3 de maio em Madri, eternizado por Francisco Goya em 1814.

O período artístico daquele momento era o Neoclassicismo onde se incluem pintores como David, Mengs e seus estilos bem definidos, Goya aparace como uma exceção européia, como disse Argan: “É a verdadeira raiz do Romantismo histórico”. A documentação gráfica deste acontecimento pode ser conferido também pela série de gravuras “Desastres de Guerra”. O interessante deste acontecimento dá ao fato de além de ser retratada iconograficamente, trás a qualidade de um grande artista que foi Francisco de Goya. Na época alguns questionaram o valor técnico da obra por ter sido feita em pouco tempo e com pouco acabamento, porém a maneira explícita e direto que o autor quis se exprimir prevaleceu mais que meros detalhes.

Francisco Goya – O Fuzilamento de 3 de Maio de 1808, 1814

Pablo Picasso, “Massacre na Coréia”, 1951

Waldir Bronson

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